Embora boa parte dos dramas vividos por cotistas de fundos quando há sobressaltos na economia sejam de responsabilidade dos administradores, o investidor precisa ter uma atitude mais fiscalizadora e atenta para evitar problemas. Analisar histórico de rentabilidade por períodos longos e ler detalhadamente o regulamento da aplicação são duas das principais dicas dos especialistas.
O gerente de Produtos da Fator Administração de Recursos, Leonardo Calixto, diz que o primeiro passo é checar a rentabilidade do fundo por prazos longos, de no mínimo um ano. Ele afirma ainda que é preciso comparar esse histórico com a meta que o fundo se propõe a seguir, e em que prazo pretende obter esse objetivo.
A diretora-adjunta de Fundos para a Pessoa Física da BankBoston Asset Management, Dilma Barbosa Lima, lembra ainda que se tem de analisar a rentabilidade do fundo mês a mês, e não só o número acumulado. ‘‘É preciso ter um desempenho consistente a cada mês, não adianta render 100% do CDI num mês e no outro 80%, o melhor fundo é o que tem um rendimento constante’’, diz ela.
Outro apoio importante para decidir o investimento é verificar o Índice de Sharpe, que mede a relação entre risco e retorno do fundo. Calixto considera relevante o uso do Sharpe, mas desde que seja calculado por alguma entidade, como a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), que não esteja comprometida com a administração de recursos. Há várias maneiras de calcular o índice, as quais usam parâmetros e prazos diferentes.
Outra recomendação para evitar surpresas desagradáveis é ler atentamente o regulamento do fundo. O gerente de Produtos da Fator Administração de Recursos, Leonardo Calixto, destaca ainda que, se não entender algum item, o investidor não deve hesitar em questionar o administrador. Só vale a pena aplicar o dinheiro caso todas as dúvidas sejam esclarecidas e o risco da aplicação esteja o mais explícito possível. É por isso que ele recomenda atenção especial à política de investimento do fundo. Pedir uma cópia da composição da carteira também pode ser boa medida.
Falando em risco, é preciso todo o cuidado quando se pretende investir em fundos de derivativos. A diretora da BankBoston Asset Management, Dilma Barbosa Lima, diz que a primeira providência é perguntar qual a perda máxima a que o patrimônio do fundo fica exposto caso toda a estratégia de investimento dê errado. Essa é uma maneira de saber o risco da aplicação. Além disso, também é preciso conhecer o histórico de rentabilidade e a reputação do administrador.
No caso dos fundos de ações, Dilma ressalta a importância de o investidor saber exatamente qual o objetivo do fundo, ou seja, se a aplicação vai perseguir o IBovespa, por exemplo.

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