O que fazer para evitar problemas com fundos
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de abril de 1999
Agência Estado 
Embora boa parte dos dramas vividos por cotistas de fundos quando há sobressaltos na economia sejam de responsabilidade dos administradores, o investidor precisa ter uma atitude mais fiscalizadora e atenta para evitar problemas. Analisar histórico de rentabilidade por períodos longos e ler detalhadamente o regulamento da aplicação são duas das principais dicas dos especialistas.
O gerente de Produtos da Fator Administração de Recursos, Leonardo Calixto, diz que o primeiro passo é checar a rentabilidade do fundo por prazos longos, de no mínimo um ano. Ele afirma ainda que é preciso comparar esse histórico com a meta que o fundo se propõe a seguir, e em que prazo pretende obter esse objetivo.
A diretora-adjunta de Fundos para a Pessoa Física da BankBoston Asset Management, Dilma Barbosa Lima, lembra ainda que se tem de analisar a rentabilidade do fundo mês a mês, e não só o número acumulado. É preciso ter um desempenho consistente a cada mês, não adianta render 100% do CDI num mês e no outro 80%, o melhor fundo é o que tem um rendimento constante, diz ela.
Outro apoio importante para decidir o investimento é verificar o Índice de Sharpe, que mede a relação entre risco e retorno do fundo. Calixto considera relevante o uso do Sharpe, mas desde que seja calculado por alguma entidade, como a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), que não esteja comprometida com a administração de recursos. Há várias maneiras de calcular o índice, as quais usam parâmetros e prazos diferentes.
Outra recomendação para evitar surpresas desagradáveis é ler atentamente o regulamento do fundo. O gerente de Produtos da Fator Administração de Recursos, Leonardo Calixto, destaca ainda que, se não entender algum item, o investidor não deve hesitar em questionar o administrador. Só vale a pena aplicar o dinheiro caso todas as dúvidas sejam esclarecidas e o risco da aplicação esteja o mais explícito possível. É por isso que ele recomenda atenção especial à política de investimento do fundo. Pedir uma cópia da composição da carteira também pode ser boa medida.
Falando em risco, é preciso todo o cuidado quando se pretende investir em fundos de derivativos. A diretora da BankBoston Asset Management, Dilma Barbosa Lima, diz que a primeira providência é perguntar qual a perda máxima a que o patrimônio do fundo fica exposto caso toda a estratégia de investimento dê errado. Essa é uma maneira de saber o risco da aplicação. Além disso, também é preciso conhecer o histórico de rentabilidade e a reputação do administrador.
No caso dos fundos de ações, Dilma ressalta a importância de o investidor saber exatamente qual o objetivo do fundo, ou seja, se a aplicação vai perseguir o IBovespa, por exemplo.


