''O que existe ainda é só suspeita''
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sexta-feira, 21 de outubro de 2005
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
O pecuarista Alexandre Turquino, responsável pelo Leilão Dez Marcas, realizado durante a Eurozebu em Londrina, no início deste mês, disse que não acredita na possibilidade de ter comercializado algum animal doente. ''Temos fazendas em Bela Vista do Paraíso, aqui no Paraná, e em Iguatemi e Eldorado, no Mato Grosso do Sul, mas todos os animais vendidos aqui eram da fazenda de Bela Vista'', garantiu, embora tenha admitido que o gado é transportado frequentemente de uma fazenda para outra.
O produtor imagina que o leilão promovido por ele tenha sido citado exatamente porque ele cria animais no Mato Grosso do Sul, em uma fazenda bastante próxima de Eldorado, um dos focos já confirmados da aftosa. ''É óbvio que as pessoas fizeram essa conexão, mas essa propriedade foi vistoriada 12 vezes nos últimos dias e todos os laudos deram negativo'', afirmou Turquino.
Ainda sem nenhuma informação conclusiva, o pecuarista estava muito preocupado com as consequências das notícias. ''Ninguém sabe de nada, nem mesmo se os animais eram da Eurozebu ou sequer se eles estão realmente doentes. O que existe até agora são sintomas, nenhuma confirmação. De qualquer forma, a repercussão, para nós, é muito ruim'', lamentou.
Turquino também declarou que vacinou todo o rebanho e que todas as propriedades da família foram vistoriadas pelo Ministério da Agricultura, inclusive a fazenda de Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina). ''O último laudo que eu tenho é bastante recente, do dia 19 de outubro''.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme, não foi surpreendido pelo anúncio do Governo do Estado: ''Nós nos preocupamos com isso desde que soubemos do foco em Eldorado porque lembramos que o gado comercializado no leilão viera de lá'', informou. Segundo Neme, dos 801 animais vendidos no leilão, 250 eram do Mato Grosso do Sul. No entanto, ele garante que todos estavam vacinados e com a documentação em dia e que nenhum dos 19 animais que estão com suspeita da doença eram do Mato Grosso.
Neme reconheceu que o grande prejuízo é junto ao mercado internacional mas concorda que não havia como esconder a suspeita. ''Mesmo assim, é melhor prevenir do que remediar''.


