O que esperar da fusão Itaú/Unibanco?
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terça-feira, 04 de novembro de 2008
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Os correntistas dos bancos Itaú e Unibanco podem ficar despreocupados. A fusão entre a Itaúsa empresa de participações do grupo Itaú e o Unibanco, anunciada ontem e que vai formar o maior banco do País e o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul não deve alterar em nada a rotina dos clientes. Inclusive a instituição, que ficará mais forte, poderá disponibilizar mais recursos para crédito porque terão maior previsão de riscos e uma carteira maior, avalia o economista Vanderlei Sereia, professor da Universidade Estadual de Londrina.
O anúncio da fusão foi feito três dias depois de o Grupo Santander Brasil anunciar em São Paulo que pretendia tornar-ser o maior banco privado do País nos próximos dois anos. Ele ressalta que a fusão foi anunciada em um momento em que a ansiedade toma conta das pessoas que utilizam o sistema financeiro. O mercado bancário é oligopolizado e se eles ficam mais fortes, acabam dominando o mercado e ditando as regras da sociedade. Mas também (o banco) pode criar novos serviços em benefício da sociedade até porque serão uma empresa maior, com mais poder de decisão no mercado, observa.
Na sua avaliação, fusões são uma tendência, uma vez que já foi concretizada a aquisição do Banco Real pelo Santander; anunciada do Itaú com o Unibanco, enquanto outras devem estar em andamento. (As fusões) são uma justificativa para sair fortalecido da crise, argumentou Sereia. Na sua avaliação, esta união fortalece o sistema bancário nacional, que já é sólido e bem estruturado. Um sistema financeiro desorganizado vai gerar um sistema produtivo desorganizado. Já um sistema financeiro desenvolvido gera uma economia rápida e dinâmica, comenta. A longo prazo, a união entre os grupos também pode ser boa, diz o economista porque pode fazer frente a instituições internacionais e com capacidade para suportar mais as oscilações de mercado.
Para o ex-ministro da Agricultura, José Eduardo de Andrade Vieira, cada vez mais os correntistas ficam com menos alternativas devido à concentração de mercado. É ruim para a economia do País e ruim para os clientes, avalia. A regra básica do capitalismo a concorrência, que estimula a criatividade é enfraquecida porque elimina parte da concorrência, o que poderá elevar o preço das tarifas bancárias.


