O que é preciso saber sobre o bug
Agência Estado
De São Paulo
A passagem para o ano 2000 tem sido alvo de muitas preocupações. Uma delas é o bug do fim do milênio. Por ser um fato inédito em nossa história, esse assunto vem tirando a tranquilidade de muita gente, principalmente de correntistas e investidores, que temem perder o dinheiro que têm guardado no banco.
Os especialistas em tecnologia garantem que nenhum cliente corre esse risco. O bug, na verdade, é a possibilidade de um processamento indevido de data, explica Enio Neves, superintendente do Itaú. Nenhum valor será extraviado.
O diretor de Tecnologia do Banespa, Roberto Fatorelli, explica que o problema está no modo como as máquinas armazenam datas. Em vez de utilizar os quatro dígitos no campo do ano, como em 1999, são utilizados apenas dois, ou seja, somente 99. O problema é que no ano 2000 vai ser armazenado como ano 00 e alguns sistemas podem interpretar esse número como 1900 e não 2000, causando erros nas máquinas que não estiverem preparadas para receber a informação.
Mas, desde 1997, os bancos vêm cumprindo as determinações do Banco Central (BC) e já estão com seus sistemas totalmente preparados. Por isso, as instituições não estão prevendo nenhum grande problema na virada do ano.
O superintendente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Wilson Gutierrez, afirma que as instituições já providenciaram até mesmo arquivos de segurança com as informações de cada cliente. Caso dê alguma pane no sistema do banco, será possível recorrer a esse arquivo.
Para evitar panes no fim do ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o BC decidiram estabelecer prazos e requisitos mínimos ao mercado financeiro com a edição de normas específicas sobre o bug. O BC exigiu que as instituições financeiras providenciassem até 30 de dezembro de 1998 a adequação de seus sistemas de informação eletrônicos para o correto processamento de datas posteriores ao ano de 1999.
Além disso, os bancos tiveram de prestar informações ao BC, semestralmente, sobre todas as medidas adotadas e o andamento dos trabalhos de adequação dos seus equipamentos. As instituições foram obrigadas também a adotar sistemas para assegurar a continuidade operacional em eventuais situações emergenciais, como instalação de geradores. E, na última circular do BC, ficou definido que todos os bancos devem mandar correspondências a seus clientes com informações e orientações sobre o bug.





