Quando alguém fala sobre a profissão do Físico, a primeira imagem que vem à cabeça é a do Professor Pardal, o inventor maluco criado por Walt Disney, que vivia colocando os demais personagens em enrascadas por causa de suas invenções. Outros nomes, não tão famosos como o pardal dos gibis, fazem parte do rol de físicos que tiveram sucesso pelo mundo, entre eles Steve Jobs, fundador e presidente da Appel e da Pixar e coincidentemente maior acionista da Disney; e Akio Morita, fundador da Sony, só para citar alguns exemplos contemporâneos.
Literatura à parte, no dia a dia a profissão de Físico está longe de ser uma sucessão de ''eurekas'', como apontam o romantismo de muitos livros. A curiosidade, no entanto, é exigência principal para quem quer seguir a profissão. ''Tem que ter um pouco de curiosidade, querer saber como as coisas funcionam por dentro'', diz o professor Irineu Mazzaro, do Departamento de Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Outros pré-requisitos, de acordo com ele, são: ter raciocínio lógico, querer conhecer cada vez mais, ser persistente, e gostar de estudar. É importante também saber inglês, idioma dominante na literatura sobre o assunto.
A Sociedade Brasileira de Físicos tem, hoje, 8 mil associados em todo País, mas não se sabe em que áreas os profissionais atuam. A profissão oferece dois caminhos principais: a licenciatura, para quem pretende ser professor do ensino médio e superior; e a pesquisa. Nestes casos, normalmente o estudante cursa o Bacharelado em Física.
Ambas as modalidades (Licenciatura e Bacharelado) têm quatro anos de duração, sendo os dois primeiros de matérias básicas comuns. Nos últimos dois anos, o aluno de Licenciatura tem dois anos de disciplinas voltadas à educação e didática, enquanto o aluno de Bacharelado passa por disciplinas formativas da física, como física quântica, eletromagnetismo, etc. Segundo o professor Mazzaro, não raro os alunos acabam fazendo as duas modalidades. É comum, também, o estudante se envolver em pesquisas ainda durante o curso. Nestes casos, ele pode receber uma pequena bolsa e, aos poucos, vai traçando um caminho em cursos de pós-graduação.
''Do ponto de vista profissional, as opções de emprego são amplas, mas tudo vai depender do perfil de cada um'', avalia o professor Ivo Hummelgen, do Departamento de Física da UFPR. De modo geral, o mercado divide-se em três vertentes: dar aulas em escolas; realizar pesquisas em universidades e centros de pesquisas; e atuação em empresas.
Para quem vai dar aula, a colocação é rápida, segundo Mazzaro, pois há carência destes profissionais. O problema é que os salários, em geral, são baixos. Para dar aula no Ensino Médio estadual, o profissional entra como professor substituto, uma vez que não há concurso público, com salário inicial de R$ 800 por 20 horas semanais. Nas escolas particulares, os salários são melhores. Depois de mestrado e doutorado, ele pode também lecionar para o 3 grau. Na UFPR, por exemplo, o salário inicial é de R$ 4 mil para 40 horas semanais, podendo chegar a R$ 10 mil.

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