O Produto Interno Bruto e o seu bolso
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quinta-feira, 21 de setembro de 2006
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Tudo o que o Brasil produz cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre deste ano. O resultado pífio do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas pelo País divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no mês passado, foi bastante comentado entre empresários e especialistas e deixou um alerta: com o número apresentado, o Brasil não terá em 2006 o crescimento estimado no início do ano, que era de pelo menos 4%. Muitos brasileiros, entretanto, desconhecem o tamanho do problema e se perguntam por que esse índice é tão importante e como ele atinge a vida de cada um.
Segundo o economista, Renato Pianowski, o maior problema quando um País não tem um bom desempenho do PIB é a diminuição dos postos de trabalho. ''Um crecimento pequeno do PIB, significa redução de investimentos por parte das empresas, implica em menor movimentação da economia e em menos emprego'', disse o especialista. É dessa forma, conforme ele, que o cidadão ''comum'' é atingido diretamente pelo resultado baixo do índice.
Com mais desemprego, acrescentou Pianowski, o governo tem que desembolsar o pagamento de mais Fundos de Garantia e, em contraprartida, menos INSS será recebido, o que pode provocar também um problema no sistema previdenciário. Há ainda o aumento da informalidade - se o trabalhador não consegue emprego com carteira assinada recorre aos ''bicos'' - e o aumento também da concorrência desleal em cima do empresário que paga seus impostos corretamente. ''Se a economia não está em movimento, não há desenvolvimento, perde o dinamismo: quem tem imóvel pra alugar, não vai conseguir, quem tem carro pra vender não vai conseguir, não vai ter pra quem vender nada'', exemplificou.
A saída, de acordo com o economista, para que o País não entre em uma crise econômica ''sem tamanho'', seria uma mudança na política aplicada atualmente. ''Por que o Brasil não teve um bom desempenho do PIB? Por conta dos encargos sociais altíssimos, tributos, em média de 38% sobre cada produto, as taxas de juros altas, um conjunto de fatores que impede que o empresário melhore seu negócio'', completou.
De que forma a economia do País interfere na sua vida?
''Influencia em tudo, principalmente no meu salário que está cada vez comprando menos coisas. Mas na verdade, a gente entende pouco de todos esses índices que o governo anuncia. Acho que é preciso que as pessoas sejam mais bem informadas, que o governo explique onde aplica, por exemplo, o dinheiro de todos os tributos que a gente paga''.
Josias Fernando de Souza, atendente.
''Interfere nos negócios, no comércio - que vende a mais ou a menos. Na hora que a gente vai contratar um funcionário também interfere, pois se a economia está caminhando bem, o salário pode ser bom, do contrário será um salário menor. Além disso, toda essa política econômica tem deixado os produtos, no geral, bem mais caros por causa dos impostos'',
Francisco Manuel da Costa Junior, empresário.
''Interfere diretamente nos meus rendimentos mensais, pois atinge a minha profissão. Por ser esteticista - um serviço nem sempre primordial na vida das pessoas - se a economia está em crise e os clientes precisam economizar, eles cortam os meus serviços do orçamento. Então, sinto de perto e no bolso quando essas mudanças econômicas do País não são positivas''.
Elzenir Rômulo, esteticista.


