O preço da qualidade
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A saída para suportar a volatilidade do mercado de commodities agrícolas pode estar em apenas uma palavra: qualidade. Esta tem sido a aposta de cafeicultores do Norte Pioneiro do Estado para enfrentar o deságio da cotação do grão com relação ao café produzido em Minas Gerais que, em média, vale 10% mais do que o restante. O mercado tem mostrado que valoriza produtos diferenciados e há indicações de que nem mesmo a crise financeira pode interferir, a longo prazo, no preço dos cafés especiais.
Na semana passada, por exemplo, três lotes do grão cultivado no Norte Pioneiro foram comercializados por R$ 840 a saca, preço quase três vezes maior do que a média paranaense, que está na casa dos R$ 250. ''Quando o Paraná era o maior produtor de café do País criou-se a fama de que produzíamos quantidade e não qualidade. Isso aconteceu devido ao clima chuvoso e ao volume da colheita'', explica Paulo Sérgio Franzini, secretário-executivo da Câmara Setorial do Café do Paraná.
Na década de 60, a área plantada era de quase 2 milhões de hectares e a produção de cerca de 22 milhões de sacas. No entanto, ele ressalta que o programa estadual de qualidade do café, lançado no final da década de 90, conseguiu reverter esta imagem e inserir o Paraná no programa de marketing ''Cafés do Brasil''. ''Hoje isto é uma realidade, tanto que os concursos nacionais legitimaram a qualidade do café paranaense; já fomos campeões por várias vezes, segundo os critérios da associação brasileira'', diz Franzini.
Ele enfatiza que não há diferencial de preço entre os cafés especiais, somente entre os comuns. ''Mas o importante é que o mercado não olha mais o café paranaense como ruim. No entanto, a qualidade é um processo contínuo e os produtores não podem deixar de investir até porque os consumidores também estão mais exigentes'', comenta. O Brasil é o segundo maior mercado do mundo, com um consumo médio anual de 18 milhões de sacas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (19 milhões de sacas).
E a demanda continua aumentando, principalmente, no País. Enquanto no mundo este mercado cresce 1,5% por ano, no Brasil o índice é de 2%. Já o mercado mundial de cafés especiais cresce 30% por ano. ''Há aumento na demanda. O café commodity agora está desvalorizado, mas o café especial agrega valor, o que é fundamental para pequenos produtores'', acrescenta Franzini. Ele observa que nem sempre é possível produzir qualidade, fator que depende diretamente da condição climática e da colheita. Segundo ele, ''cada ano a situação é diferente''.
Em safras cheias (geralmente ocorrem em anos pares), por exemplo, é mais difícil de conseguir uma boa qualidade, mesmo com clima bom. Isso pode acontecer porque a colheita é fundamental para um café especial e no Paraná há falta de mão-de-obra. Em alguns casos, a perda de qualidade do grão pode chegar a 30%. O zoneamento agroclimático do café prevê o plantio em um raio que vai do Norte Pioneiro à região do arenito, (até Umuarama, na região Noroeste). Um café de qualidade requer microclima específico, com temperaturas mais amenas (com média anual de 19ºC a 22ºC), solo, boa altitude e latitude.


