'O potencial é estrondoso', diz livreira
Quando decidiu se mudar de São Paulo, a professora aposentada Sílvia Liberatore escolheu Londrina como destino e a venda de livros como atividade, mesmo não tendo experiência comercial anterior. Nasceu assim, há quatro anos, a Livraria da Sílvia, um ambiente pequeno, mas aberto e aconchegante. A livreira questiona a metodologia da pesquisa do Ibope Inteligência. Para ela, soa óbvio que a classe B seja a maior consumidora de publicações impressas, bem como a maior concentração de vendas na região Sudeste. Sílvia vê, ainda, uma distorção dos dados reais em virtude da inclusão de todas as publicações impressas no levantamento. Ela acredita que o potencial do mercado deva ser medido a partir do número de livrarias existente, considerado muito baixo. "As pessoas não têm costume (de comprar livros) porque não tem oferta; é uma falta de disponibilidade, de familiaridade com o livro. A livraria tem que ser um ambiente amigável", defende Sílvia.
Sobre a queda de participação dos livros no IPCA, a livreira também considera lógica. "A inflação subiu e as famílias tinham que cortar em algum ponto. Por outro lado, o preço do livro caiu, em termos brutos, nos últimos anos", afirma. Segundo ela, o produto sofreu reajuste de preços em julho passado, após dois anos de estabilidade, e poderia ser ainda mais barato caso a distribuição fosse maior e mais bem feita. "O potencial de mercado é estrondoso", acredita ela. Sílvia vê uma procura por livros especialmente para presente. É assim que a maioria dos clientes chega até a livraria, que oferece espaço para a leitura e o estudo. A livreira confia que os brasileiros gostem de ler, basta que o acesso aconteça com mais facilidade. (C.F.)





