Oswaldo Petrin
De Londrina
Os técnicos Alexandre Guetter, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), e Paulo Caramori, agrometeorologista do Iapar, disseram ontem que a estiagem – efeito do fenômeno ‘‘La Niña’’ – está chegando ao fim e que o clima no verão promete ser normal. Guetter não afastou a hipótese de chuvas pesadas, com granizo, ‘‘mas são fenômenos localizados’’, ponderou.
Depois de mostrar a gravidade da seca, a mais severa dos últimos 20 anos, os técnicos foram questionados sobre o sistema de informação do clima. O debate ocorreu na ‘‘Audiência Pública’’ promovida pelo Sindicato Rural de Londrina. O presidente da entidade, Edison Mazei Ponti, expôs a preocupação dos agricultores e os prejuízos que poderiam ser evitados se houvesse medidas para atenuar os efeitos. Observou que esses prejuízos atingem em cheio os produtores, mas acabam refletindo na mesa do consumidor e na economia de toda a sociedade.
A orientação dessas medidas foi cobrada ontem dos órgãos do governo, em alguns momentos de forma incisiva. A ‘‘Audiência Pública’’ contou com a presença de agricultores, técnicos de cooperativas e até comerciantes.
Manejo O especialista em solos, Garibaldi Batista de Medeiros, do Iapar, explicou que o impacto da seca foi menor nas lavouras que apresentam manejo adequado de solos, levando em conta fatores de sustentabilidade. Garibaldi deu uma série de exemplos e mostrou que a pesquisa tem apresentado tecnologias para situações como esta e a maior parte desse conjunto de técnicas está relacionada com sistemas de plantio direto (SPD). Este também foi o tema de uma entrevista coletiva no Iapar pela manhã, em que participaram o presidente do instituto, Florindo Dalberto, e técnicos do Simepar e Iapar.
Os técnicos disseram não ter dúvida de que ‘‘quem segue as técnicas recomendadas pela pesquisa fica menos vulnerável a adversidades como esta’’. Além de apresentar técnicas que amenizam fenômenos como a seca, o Instituto relacionou vários procedimentos que devem ser tomados em caso de chuva, ou em caso de prolongamento da seca.
Simepar No entanto, a maior parte das discussões no Sindicato Rural girou em torno das previsões do Simepar e o que deve ser feito ‘‘para melhorar o que está a풒. Os agricultores, liderados pelo presidente do Sindicato, Edison Ponti, se propuseram a colaborar com o Simepar, mas deixaram claro que, para eles, o órgão falhou omitindo informações mais detalhadas e por não alertar ou monitorar as condições de clima. Ficou claro, também, que as previsões feitas quatro meses atrás, no início da seca, não esclareceram a real dimensão do problema.
O agricultor José Augusto de Queiroz, de Cambé, fez um paralelo entre os serviços do Simepar e outras fontes de informações, citando especialmente o Serviço Meteorológico Norte-Americano. ‘‘Sinceramente, acho que para quem tem uma verba de R$ 10,6 milhões por ano, o que vocês fazem deixa muito a desejar’’, criticou.
Outro que cobrou a aplicação de recursos foi o agricultor e ex-presidente do Iapar e Valcoop, Wilson Pan. ‘‘Não conseguimos ver afinidade entre Simepar e o setor agropecuário, apesar da existência dos recursos para o órgão’’, disse Pan. E o agrônomo Humberto Duarte Nogueira, da Corol (Rolândia), observou que o problema pode estar na ‘‘aplicação agronômica’’ das informações de clima.
O especialista do Simepar, Alexandre Guetter, concordou com algumas críticas e contestou outras. Mas achou salutar o debate. Ele mostrou os avanços neste setor, mostrando a complexidade do estudo do clima, as dificuldades operacionais e os avanços em conhecimento e investimentos feitos na aquisição de equipamentos modernos, chegando a compará-los aos de institutos internacionais.Fim da estiagem está próximo; verão terá clima regular. Em algumas regiões, chuvas dos últimos dias permitem plantio da soja
Josoé de CarvalhoCaramori: seca de três meses, a pior dos últimos anosSIMEPAR EM XEQUEGuetter fala na Audiência Pública do Sindicato: notícia sobre chuva e muita cobrança

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