O Paraná e a cooperação internacional
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de junho de 1998
Antoninho Caron 
O comércio internacional nos últimos 50 anos viveu um processo de dinâmica nunca visto em nenhuma época da história da humanidade. Nos últimos 50 anos as relações internacionais deixaram de ser uma opção e passaram a ser a alternativa estratégica para o crescimento e o desenvolvimento dos países e das empresas. Registra-se neste período um novo modo de organização da produção capitalista com profundas mudanças no relacionamento entre os países e entre as empresas.
Os países persistem na procura da cooperação entre si e em busca da Paz, porém o caminho encontrado não é mais apenas o de alianças estratégico-militares, e sim o caminho de cooperações econômicas e tecnológicas para alcançar o desenvolvimento econômico e social das sociedades, conquistando assim uma melhor qualidade de vida para seus cidadãos.
Por um lado o desejo de desenvolvimento passou a ser uma constante em todas as sociedades visando conquistar novas oportunidades de ocupações econômicas e de renda. De um outro lado as empresas procuram seus espaços estratégicos de crescimento e lucratividade através do mercado nacional e das conquistas dos mercados internacionais. No bojo desse processo o mundo vive uma profunda revolução tecnológica caracterizada por intensas invenções e inovações nas áreas de informática, microeletrônica, novos materiais, engenharia genética...etc.
A nova revolução tecnológica internacionaliza o processo de produção industrial e provoca uma intensificação dos movimentos internacionais dos fatores de produção. O mundo vive então o novo processo de globalização, onde o comércio internacional em 1950 teve um volume de trocas em torno de US$ 120 bilhões e em 1997 supera US$ 5,5 trilhões de trocas de mercadorias.
Alguns fenômenos são vitais como determinantes desta nova dinâmica internacional: as intensas evoluções tecnológicas, a universalização do processo industrial, a globalização dos capitais, os rearranjos dos acordos de cooperação entre as nações através da formação de blocos econômicos regionais, que reduzem os entraves ao comércio internacional e intensificam as trocas entre as nações. Essas novas estratégicas entre os países facilitam a ação das empresas estimulando especializações, novas escalas de produção, racionalidade de produção para alcançar novos patamares de eficiência e novo padrão de competitividade nos mercados nacionais e internacionais.
Constata-se que a estratégia da empresa de atuar no mercado internacional não é o início do processo de produção, mas a maturação e a evolução permanente de invenções e inovações na produção visando atender consumidores cada vez mais exigentes e informados, levando assim a um transbordamento da capacidade de produção da empresa local para a conquista de mercados nacionais e internacionais. Portanto, ... o processo de exportação não é início de uma estratégia da empresa, mas o fim do processo de expansão da empresa (Linder, 1961)
As nações que tiraram proveito das intensas mudanças do comércio internacional nas últimas décadas são nações que têm uma forte base industrial, pois é na indústria que se identificam as melhores oportunidades de parcerias e alianças para a complementação produtiva, tecnológica e financeira. A base de cooperação e do comércio internacional não está concentrada na produção primária, quer seja de origem vegetal, mineral ou agrícola. O setor primário tem pouca capacidade de lincagens de integração e cooperação produtiva. Porém, o setor industrial está fortemente propenso a complementariedade para reduzir suas incertezas e inseguranças diante das invenções e inovações intensas. E para garantir a estratégia de crescimento e desenvolvimento.
Verificado que a ação internacional da empresa se dá no estágio de maturação do processo produtivo, deduz-se que o processo de integração econômica internacional acontece entre países com forte base industrial, e acontece em decorrência da cooperação entre empresas industriais. É lógico imaginar que a estratégia de inserção econômica do Paraná no mercado internacional se dará pela ampliação da base industrial e não na manutenção de sua base agrícola e na concentração das exportações de produtos primários e semi-processados.
Portanto, a opção do governo Jaime Lerner em mudar a base produtiva do Paraná de um Estado agrícola para um Estado com o desenvolvimento econômico baseado na industrialização é o caminho do ajustamento estratégico da economia e das empresas aos novos tempos.
O Paraná irá consolidar sua economia não mais ampliando exportações de produtos primários, mas transformando sua produção primária em produtos industrializados. A agroindustrialização juntamente com a atração de novos investimentos nacionais e internacionais é opção estratégica. O documento Paraná Comércio Exterior editado pela Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral e pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) é uma radiografia do atual quadro das exportações do Paraná. Tem como objetivo informar as autoridades governamentais, as entidades de classe e as empresas sobre a atual realidade das exportações do Paraná e, também, estimular a análise permanente, o debate e novos estudos sobre as opções estratégicas da presença das empresas e dos produtos paranaenses no mercado internacional. Há um novo tempo a construir. Há uma nova sociedade a desenvolver. O novo tempo é de parceria, de aliança, de complementariedades e de cooperação. Lembrando o filósofo...tua parte não é tudo... sem a tua parte não haverá tudo... para que haja tudo é preciso a tua parte.


