O Paraná da moda
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de julho de 2008
Claudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná fatura por ano R$ 4 bilhões com o setor de vestuário e confecção, lançando no mercado 150 milhões de peças por ano, além de empregar 76 mil trabalhadores direta ou indiretamente, o que representa 13,49% de todos os empregados do setor no País. Apesar dos números expressivos, que dão ao Estado o título de segundo maior pólo de confecções, superado apenas por São Paulo, o setor sente uma necessidade constante de tornar-se mais competitivo. Esta semana, o Paraná mostra o talento para moda ao Brasil e a empresários estrangeiros. De hoje a 1º de agosto acontece em Curitiba, no Cietep, a 2 edição do Paraná Business Collection (PBC). O evento reúne empresas do setor de vestuário e confecção com o objetivo de dar maior visibilidade à moda paranaense e promover rodadas de negócio. O PBC é uma realização da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), através do Conselho Setorial da Indústria do Vestuário e parceria com o Sebrae.
''O PBC é uma ação integrada entre várias regiões que compõem o 'mapa' da moda parananense e dará sustentação às conquistas já alcançadas pelo setor, além de ampliar as perspectivas de representatividade nos cenários nacional e internacional'', ressalta o diretor de Administração e Finanças do Sebrae-PR, Vítor Roberto Tioqueta. No ano passado, foram fechados R$ 2,5 milhões de negócios e cerca de 15 mil pessoas circularam pelo evento. A expectativa é de crescimento, a partir de um trabalho maior de seleção dos expositores. Serão trazidos 140 compradores (40 deles com estatus de vip) entre nacionais e estrangeiros. Um dos coordenadores gerais do PBC, Paulo Martins, explica que é a oportunidade dos varejistas de comprarem marcas do Estado. O Estado concentra produção nos segmentos bebê, lingerie, fitness, malharia feminina, masculina, infantil, praia, entre outros.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado do Paraná (Sinditêxtil), Adilson Filipaki ''os produtos do Estado têm muitas vezes maior participação no mercado do que marcas de São Paulo e Rio de Janeiro, mas não têm tanta visibilidade por não participarem de um número maior de desfiles''. Para o empresário, o mercado está carente de novas marcas e o evento é a chance de evidenciar a moda local.
Apesar da farta capacidade de produção, segundo empresários e representantes dos sindicatos do setor, o volume não basta para vencer a competição com produtos chineses que invadem as prateleiras brasileiras a preços ínfimos. A solução para este desafio, segundo eles, está no investimento em inovação para agregar valor aos produtos locais, dando subisídios para a criação de novas grifes.
Neste contexto entra o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) que conta com 35 unidades e oferece cursos direcionados ao setor como confecção industrial, técnico em confecção, entre outros.
Para renovar e colocar o Estado em contato com as principais tendências, a Fiep, por meio do Centro Internacional de Negócios (Cin) realiza missões internacionais que levam empresários aos grandes centros de moda no mundo. Nos últimos quatro anos foram oito missões envolvendo 100 representantes de 75 empresas locais. Maior parte dos destinos foi para Paris e Milão. Para setembro, o Cin está organizando uma nova missão empresarial para França e Itália.
Apucarana (Norte do Estado) ganhou o título de ''Capital Nacional do Boné'' graças ao Arranjo Produtivo Local (APL) que integra 150 indústrias com 10 mil funcionários e uma produção de 4 milhões de peças ao mês (metade da produção nacional). O Estado concentra seis APLs do vestuário que englobam 1991 empresas, 28 mil empregos e uma produção variada. O objetivo é mobilizar o setor, ofertar serviços e aumentar a competitividade.
Em Cianorte, no Noroeste, estão instaladas 1200 empresas, que geram 70 mil empregos e produzem 12 mil peças ao mês, principalmente jeans e modinha, para comercialização em shoppings de atacado. O Paraná Business Collection acontece após o encerramento da Expovest, maior feira atacadista da região Sul do País, sediada em Cianorte, com 600 marcas da região. A organização da feira estima a comercialização de R$ 20 milhões, o que representará um crescimento de aproximadamente 20% em comparação com o evento do ano passado.
Já na região Oeste, em Terra Roxa, as 35 empresas trabalham em torno da moda bebê. No Sudoeste, um dos pontos fortes é a capacitação de pessoal. Nos Campos Gerais, o foco é a malharia.


