O papel da análise econômica
A história da evolução do capitalismo tem revelado que os sistemas econômicos convivem, intrinsecamente, com a instabilidade. Há uma sucessão temporal de etapas ascendentes e descendentes, com duração aproximada de sete a dez anos, caracterizadas pela alternância de ciclos virtuosos de prosperidade e de círculos viciosos de recessão ou de depressão.
A gênese do processo é o ingresso das economias em uma fase de vigorosa expansão, sustentada na elevação dos níveis de investimento (público e privado), gastos governamentais, produção e consumo que, muitas vezes, aparenta ser interminável. De repente, fatores estruturalmente adversos provocam uma reversão no ciclo colocando as transações em rota cadente.
Por vezes, a flutuação cíclica atinge segmentos produtivos ou regiões isoladas, caso da recessão japonesa pós-90. Em outros momentos, o crescimento ou a crise assume dimensões planetárias, a exemplo da Primeira e da Segunda Grande Depressão, ocorridas entre 1873 e 1896 e 1929 e 1933, respectivamente.
Ademais, a teoria econômica atesta que, mesmo no interior dos estágios de progresso ou de regressão, podem ser identificadas ondas de euforia e de pessimismo. Nesse ponto, o papel do analista econômico consiste em testar a aderência entre os movimentos conjunturais e as curvas de médio e de longo prazos, visando, de um lado, descrever, avaliar e, sobretudo, prever a trajetória do sistema e, de outro, propor alternativas de intervenção voltadas à negação e/ou reversão dos cenários desfavoráveis e à otimização dos pontos fortes.
Em outras palavras, o núcleo do trabalho do examinador do ambiente de negócios é representado pela adequada interpretação do ritmo e da direção dos indicadores correntes e antecedentes, por vezes ambíguos, à luz do estoque e do fluxo de conhecimentos fornecidos pelos preceitos básicos da economia.
Por tudo isso, os profissionais encarregados da observação e da previsão do clima econômico devem estar permanentemente atentos para não incorrerem no equívoco de confundir fatores circunstanciais com tendências estruturais. As frequentes falhas de diagnóstico levam à feitura de proposições de adoção de providências políticas que são rapidamente atropeladas ou frustradas pela realidade. Nesse particular, ainda vale a máxima de que para fatos não existem argumentos.
Gilmar Mendes Lourenço é economista e professor da FAE Business School
(Coluna de responsabilidade do Conselho Regional de Economia - Corecon/Paraná)
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