Curitiba - O ano de 2010 anuncia um cenário bem mais positivo para a economia do que a pós-crise financeira mundial. A inflação deve ficar sob controle na casa dos 4,5% ao ano e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é projetado entre 4% e 6%. Os juros devem ser mantidos no patamar de 8,75% ao ano, mas podem ser maiores caso haja um aumento do consumo previsto para o segundo semestre, atingindo um percentual máximo de 10,63%. O emprego deve se recuperar a níveis anteriores a setembro de 2008, quando estourou a crise. Para a produção industrial o crescimento é estimado em 7% no ano. As perspectivas foram traçadas por quatro especialistas ouvidos pela FOLHA.
Caso a economia mundial prossiga em recuperação é bem provável que o Brasil eleve o ritmo de crescimento e atinja um PIB de 4% a 5% em 2010. A opinião é do coordenador do curso de Economia da FAE (Centro Universitário Franciscano do Paraná), Gilmar Mendes Lourenço.
A economia pode ser impulsionada por dois motivos: o aumento do consumo com a recuperação do emprego e o reajuste do salário mínimo e o aumento dos gastos do governo com o ano eleitoral. Neste período, são comuns reajustes dos salários dos servidores públicos, aumento das compras do governo e do volume de obras públicas.
Lourenço acredita que os trabalhadores devem conseguir reajustes iguais ou superiores à inflação. O perigo é que em 2009 foram criadas condições para uma ''bolha de inadimplência''. Ele alertou que hoje o brasileiro gasta mais de 40% da renda com o pagamento de prestações.
Lourenço prevê que o governo tenha uma preocupação adicional com a inflação e que o aumento do consumo pode levar a uma elevação de juros. Neste ano, a inflação deve fechar entre 4,3% e 4,5%, portanto dentro da meta do Banco Central que era de 4,5%. Para 2010, a meta é 4,5%, o que ele acredita que seja possível atingir.
Segundo ele, também deve continuar a desvalorização do dólar. ''O poço do câmbio não tem fundo. A única saída que existe para reverter a queda do dólar seria reduzir os juros e isso o governo não vai fazer'', disse.
Para Lourenço, 2010 vai finalizar a continuidade da recuperação da crise, mas isso vai depender do resultado das eleições e das medidas que forem adotadas para a economia crescer continuamente. Ele defende a queda dos juros e uma política para gerar emprego de qualidade. Além disso, seria necessária a redução dos gastos do governo com custeio (compras e licitações) e da despesa financeira (pagamento de juros da dívida) para poder investir nos gargalos de infraestrutura.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, também prevê um crescimento do PIB de 5% a 6% contra o baixo desempenho de apenas 0,5% em 2009. Ele estima que a inflação também não passe de 5%.
''Há uma aposta que os juros voltem a crescer, mas vai ter pressão para que fique abaixo de dois dígitos'', disse. O mercado estima uma alta de 8,75% ao ano para 10,63%. No final de 2010, a previsão é que fique em 9,56%.
Para ele, a taxa de desemprego deve ser menor do que em 2009 (8%) e o crescimento do emprego deve ficar em patamares anteriores à crise. Cordeiro acredita que os setores que mais perderam emprego devem ser os maiores geradores de vagas como as montadoras de veículos, o segmento metalmecânico, de papel e papelão, a indústria química e a construção civil.
''A crise de fato passou, mantidas as condições atuais'', disse. Para 2010 ele estima um quadro otimista com crescimento que traz aumento do emprego e melhora da renda.

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