O negócio do século
Ainda na euforia governamental da venda da Telebrás, na quarta-feira, alguns dados sobre o milionário telemercado:
Em 97, o Sistema Telebrás faturou mais de US$ 20 bilhões e teve lucro superior a US$ 4 bilhões. Se a rede fosse vendida pelo preço mínimo de cerca de US$ 12 bilhões, os compradores teriam o retorno do investimento em menos de 4 anos. Como acabou arrematada por US$ 22 bilhões, as empresas que compõem os consórcios vencedores, juntas, vão levar cerca de três anos mais para ter a aplicação de volta. Depois disso, é só lucrar.
Sérgio Motta, o ministro das Comunicações que iniciou o programa de privatização, chegou a sonhar com US$ 40 bilhões recheando os cofres federais depois da venda da megatele. O próprio Luis Carlos Mendonça de Barros, que sucedeu Motta, mencionou soma próxima de US$ 30 bilhões. Mas, segundo os integrantes do governo, o valor de US$ 22 bilhões ficou de muito bom tamanho.
O Brasil tinha 1 milhão de linhas - uma para cada grupo de 100 habitantes - em 72, praticamente cem anos depois da invenção do telefone. Era uma das taxas mais baixas da América Latina. Entre os anos 70 e 95, Embratel e Telebrás elevaram o número para 19 milhões. Um salto quântico.
Em 96, o Brasil foi o quarto país do mundo em ativação de terminais telefônicos, superado apenas por China, EUA e Alemanha. Um mercado tamanho gigante, que passa agora para o reinado da iniciativa privada.





