O mercado editorial como meio de trabalho
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terça-feira, 20 de julho de 2010
Carlos Eduardo Kiatkoski<br>Especial para a FOLHA 
Com uma ideia na mão nem sempre é possivel colocar em prática o desenvolvimento da mesma. Muitas vezes isso ocorre pelo simples fato de não se conhecer as ferramentas necessárias para executar o plano e as tarefas necessárias para sua execução. Como escrever um livro, por exemplo. Muitos pensam que isso é simples, basta colocar as ideias no papel e mandar para a gráfica para que o mesmo seja impresso. No entanto, é preciso de alguém que planeje, crie um livro na forma técnica. Além de criar uma estratégia para que o produto final seja comprado por aqueles que não têm um interesse muito grande pela leitura.
Essas funções são destinadas ao chamado produtor editorial, responsável por planejar e executar as tarefas de produção e planejamento de um determinado produto. ''A área de atuação do produtor editorial é abrangente, principalmente, na formatação de produtos que agregam mais de um meio de comunicação'', comenta Gustavo Lopes, coordenador do curso de Comunicação Social da Faculdade Internacional de Curitiba (Facinter).
Para ser produtor editorial é necessário que o estudante preste vestibular para Comunicação Social com habilitação em Produção Editorial, com duração média de três anos e meio. A Facinter é a única faculdade do Estado que oferece o curso de graduação. A mensalidade é de R$ 582,22.
O coordenador ressalta a importância de o acadêmico fazer cursos de extensão e pós-graduação. Com isso o profissional terá uma visão mais ampla sobre o mercado editorial. O profissional não precisa somente de um conhecimento técnico do curso, mas também de uma boa formação cultural.
O mercado de trabalho é desafiador, exigente e competitivo. Apesar da profissão ainda não ser regulamentada pelo Ministério do Trabaho, ela está presente em várias atividades. ''Ela influencia tanto na produção de um livro, quanto na animação de um comercial para televisão ou ainda na produção de um CD'', aponta Lopes.
Com o aparecimento das mídias digitais este trabalho ganhou um novo fôlego e criou a necessidade de se formar mais profissionais, para suprir a demanda do mercado. As possibilidades de trabalho estão em editoras, gráficas, agências de publicidade, produtoras de vídeo, estúdios fotográficos, empresas de websites, CD-ROMS, além de departamentos de comunicação e marketing de empresas públicas e privadas e produção de projetos culturais. ''Ainda é difícil a inserção do produtor editorial no mercado, um dos motivos é a falta de conhecimento do campo profissional'', lamenta o coordenador da Facinter.
Alguns profissionais que atuam na área muitas vezes não tem a formação específica de produtor editorial. Julio Rocker, diretor editorial da Aymará Edições e Tecnologia é uma dessas pessoas. Formado em Farmácia e Letras, ele afirma ter encontrado seu caminho, mas admite as dificuldades que encontrou por não ter tido a formação específica para a função. O profissional é hoje responsável por dar as diretrizes de produção do mateiral gráfico da empresa. Sua equipe é composta por 130 profissionais das mais diversas áreas e é responsável por colocar em prática os planos gráficos da editora. ''Além de uma visão de conjunto é importante ter uma equipe qualificada'', comenta o produtor.
O salário pode ser considerado um dos principais atrativos para os interessados no curso. A remuneração pode chegar até R$ 8 mil por mês para os mais experientes. Para os iniciantes na carreira o salário é de R$ 1,5 mil. Os estudantes também não tem muito do que reclamar, a bolsa-auxílio para cinco horas é de R$ 450, e para o período integral o valor passa a ser de R$ 800 ao mês, estes valores podem variar de empresa para empresa.
Além do Paraná, a graduação em Produção Editorial é oferecida por instituições de ensino superior de São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro.


