Brasília - Chamado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow, de a ''voz da razão'' da economia mundial o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que se afastou ontem do cargo, conseguiu nos três anos e três meses que esteve à frente do comando da política econômica brasileira angariar não só a confiança do mercado financeiro e do setor empresarial, mas também se firmar como o mais poderoso dos ministros do governo Lula. Assumiu o cargo em meio a uma crise de confiança dos investidores na economia brasileira no auge da turbulência o risco País atingiu a marca de 2.443 mil pontos e de ameaça do controle da inflação. Mostrando ação na economia, a Fazenda reduziu o risco País para níveis históricos próximos a 200 pontos e as agências de classificação de risco melhoraram a avaliação do País.
Antes de se tornar o todo poderoso ministro da Fazenda, ainda durante as eleições, teve papel decisivo na formulação da ''carta ao povo brasileiro'', documento no qual o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o compromisso com os três pilares da política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso: câmbio flutuante, metas de inflação e ajuste fiscal. Foi o articulador do apoio dado pelo já candidato eleito à renegociação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no final do governo FHC.
Como coordenador da equipe de transição, os seus seguidos pronunciamentos tiveram papel-chave para acalmar as turbulências e reduzir a taxa de câmbio, que no auge da crise, em 2002, chegou a bater a marca de R$ 4,00, o que provocou depois o surto inflacionário verificado no início de 2003.
Fortalecido no governo Lula, Palocci foi, no entanto, alvejado pelas denúncias de corrupção contra ex-assessores na Prefeitura de Ribeirão Preto. Virou alvo dos petardos da CPI dos Bingos no momento em que começou um embate público com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, crítica do programa em gestação pela equipe econômica de um ajuste fiscal de longo prazo. O plano foi arquivado, consolidando a primeira grande derrota do ministro Palocci no governo. No meio do caminho, o anúncio da queda do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre do ano passado, mostrando a desaceleração da economia, pôs mais lenha na fogueira e enfraqueceu ainda mais a posição do ministro. (Agência Estado)

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