No mercado de trabalho já se ouviu muito falar no CEO - Chief Executive Officer, ou executivo chefe, também conhecido como presidente. Agora, chegou a vez do CIO - Chief Information Officer. Os CIOs ainda são poucos no Brasil, mas fazem parte de uma tendência considerada irreversível. Responsáveis pela montagem do quebra-cabeças da tecnologia da informação como base para a administração dos negócios, redução de custos, aumento de lucro e produtividade, os CIOs têm experimentado o verdadeiro significado de estar no ‘‘fio da navalha’’ dentro das corporações que representam. Afinal, eles vivem o desafio de manterem-se informados num mundo que gira com uma velocidade incrível, conhecer toda a parafernália tecnológica existente, separar daí o que pode ser útil para sua empresa, sempre lembrando que a tecnologia da informação tem sido a força motriz dos processos para redução de custos e implantá-la com sucesso.
Há quem defina o CIO como um maestro de orquestra: ele afina os profissionais de toda a corporação e faz da informação uma ferramenta de competitividade. Mas se a orquestra desafinar, sua carreira pode estar ameaçada. Não bastassem os desafios do dia-a-dia, eles precisam ter uma estreita relação com as estratégias da campanha a que representam para saber usar todo seu know-how tecnológico na contribuição para a melhoria da competitividade e posição mercadológica da empresa, já que a venda de um produto ou serviço está totalmente vinculada à cadeia produtiva. Por essa razão, entre outras, o executivo da tecnologia da informação participa de decisões estratégicas e transita em todas as esferas da companhia, da alta direção dos setores subordinados. Liderança e gerenciamento são características indispensáveis ao seu perfil.
A cultura do CIO nas organizações brasileiras está crescendo, mas são raros os profissionais que podem ser considerados como tal. Atuam em nível elevado e, normalmente, possuem formação em administração, marketing, finanças e tecnologia. Para chegar ao posto precisam estar bem preparados, inclusive emocionalmente. Nessa função, não há como deixar de correr riscos, de preferência previstos, e sofrer pressões, muitas pressões. Enfrentam momentos delicados - quando os resultados demoram a surgir - e passam a ser cobrados pelo retorno do projeto. Ficam vulneráveis aos stress, tensão e à alta rotatividade. Os motivos são óbvios: é um constante mutante; nem bem colocou em prática um revolucionário processo e depara-se com outra novidade.
Além da visão global da empresa que trabalha, o CIO deve ter habilidade e sensibilidade para descobrir as necessidades de cada setor-cliente da corporação. Como rotina, esse expert em tecnologia da informação toma decisões importantes e arriscadas, pois cabe a ele comandar a implementação de sistemas e soluções que vão auxiliar usuários a desempenhar suas tarefas. Também é responsável pela manutenção da infra-estrutura porque hoje, ao contrário do passado, as mudanças tecnológicas ocorrem a passos largos.
E o que fazer para estar a frente das transformações ou pelo menos acompanhar a evolução da tecnologia? Esse será um eterno questionamento e a maior busca para o CIO’s. Durante o Internatinal Defelopers Opportunities 97, evento realizado recentemente em Curitiba e direcionado aos profissionais especializados em desenvolver sistemas, diversos fabricantes defenderam seus interesses, invalidando o que hoje existe no mercado. Traça-se a morte do Windows, o fim do PCs e a introdução de novas armas revolucionárias nessa guerra da qual o CIO parece ser sempre uma grande vítima. O usuário, representado pela supremacia que se espera do CIO, está tonto com tanta efervescência. E as corporações temem novos gastos para se adequar ao que a indústria colocará como ‘‘o que há de mais moderno’’.
Para a informática, o presente já é velho. Pode-se definí-la como um camaleão que segue seu caminho, camuflando passos do futuro. Cabe ao CIO diante de tantas incertezas e mutações, encarnar sua porção mago e torcer para que tudo dê certo.
- UBIRAJARA TADEU DE CAMARGO e GRENNE LAUREANO REIS são diretores da GLR - Informatização em Recursos Humanos

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