São Paulo - O Brasil segue firme no ranking dos países considerados como os principais destinos de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) e deve receber ao longo deste ano algo em torno de US$ 45 bilhões, segundo prevê o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet), Luís Afonso Lima. Em janeiro último, de acordo com dados divulgados pela Unctad, Órgão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil recebeu US$ 789 milhões de investimentos diretos. O valor é significativamente baixo se comparado ao US$ 1,9 bilhão registrado em janeiro de 2009.
''No entanto, é plausível pensar em alguma forma de antecipação dos investimentos em dezembro de 2009, visto que neste mês, o IED recebido atingiu US$ 5,1 bilhões. Fica evidente um leve recuo de dezembro de 2009 para janeiro de 2010. Recuo que não deve ser repetido em fevereiro'', diz o presidente da Sobeet. Para ele, a perspectiva ao longo do ano é de que haja uma aceleração dos investimentos no País, garantida pela expectativa de crescimento da economia brasileira.
Quanto aos investimentos diretos brasileiros no exterior, por sua vez, afirma o presidente da Sobeet, estes superaram a entrada dos investimentos estrangeiros no Brasil no mês de janeiro de 2010. ''Esse fato proporciona indícios de que as empresas brasileiras enxergam com maior clareza as possibilidades de internacionalização em meio ao processo de recuperação da economia mundial'', diz Lima.
No ano passado, os dados sobre fluxos de investimentos diretos no mundo confirmaram os efeitos da crise. Diante da expectativa de redução frente ao patamar de 2008, os investimentos diretos globais em 2009 apresentaram queda de 38,7%. Mas essa queda não foi uniforme para todos os países. Os países desenvolvidos registraram um volume de investimentos diretos 41,2% menor que em 2008. Já para os países em desenvolvimento a variação negativa ficou em 34,7%.
''Fica claro que os investimentos diretos foram afetados de maneira geral, porém, com maior intensidade nos países desenvolvidos. Diante do cenário de retração, as empresas tiveram de adotar estratégias em relação ao reinvestimento dos lucros e aos empréstimos intercompanhia. O clima de incertezas afetou especialmente os investimentos diretos por meio de fusões e aquisições: estes sofreram significativa diminuição, de 66% em relação a 2008'', diz o presidente da Sobeet.
Na comparação entre os dois anos, o Brasil apresentou queda de 49,5%, mais acentuada que a média mundial, de 38,7%, nos investimentos diretos recebidos. Parte deste comportamento, de acordo com Lima, pode ter explicação no fato de que os investimentos diretos externos ingressados no Brasil em 2008 apresentaram elevação acima da média mundial, com cifra recorde na série do Banco Central. ''Vale comentar que mesmo com a queda observada em 2009, o Brasil seguiu como o principal destino de investimento direto também entre os países da América Latina no ano passado, tendo registrado US$ 23 bilhões, seguido pelo México, que no mesmo período, acumulou US$ 13 bilhões.

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