Os leilões podem ser considerados uma forma democrática de comercialização. No mercado de gado geral, são um instrumento econômico e ágil para quem compra e para quem vende. Basta comparara: antigamente, para vender seu gado o pecuarista recebia o comprador na fazenda para uma jornada cansativa. Começava com o café da manhã e um giro pela invernada, interrompido para almoço. A vistoria retomava à tarde e, no final, as partes sentavam à mesa. Sem parâmetros para praticar preços de partida, a discrepância - entre pedida e oferta - era tão grande que na maioria das vezes a rodada terminava sem fechar negócios. Enquanto o comprador voltava frustrado, ao vendedor restava lamentar... e rimar:
‘‘Perdi meu tempo, dei bom café e almoço, mas depois de tanta conversa, o freguês se foi e eu... sem dinheiro no bolso...’’.
Era assim, portanto. Os leilões, ao contrário dos negócios isolados, têm referencial de preços a partir do qual geralmente ocorre a consecução do negócio. É transparente. Isto no mercado geral.
Já no mercado de gado de elite, mais fechado, costuma-se atribuir aos leilões o mérito de democratizar o acesso à genética de alto padrão. Os negócios - e as informações sobre os produtos - saíram dos escritórios de selecionadores de vanguarda para o alcance de um número maior de fazendeiros. Neste papel, os leilões são, também, agentes de difusão da boa genética. Para Paulo Horto, quem ganha com isto é a pecuária nacional que dissemina sua qualidade.

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