''Eu comprava das revendedoras junto com a minha tia. No terceiro colegial, vi uma menina vendendo para as amigas da sala. Foi aí que eu liguei para uma empresa, consegui um catálogo e comecei oferecendo para os meus parentes''. Lessandra Maikuma, estudante de Medicina Veterinária da Uel, ingressou assim como revendedora há seis anos. Vender cosméticos foi uma maneira de conciliar uma fonte de renda com a carga horária do seu curso integral.
O papel das revendedoras de cosméticos é um aliado forte da autonomia feminina no mercado de trabalho na última década. Muitas deixam pendurados na parede o diploma universitário e embarcam nesta atividade, considerada informal por conta da ausência de vínculo empregatício, e que movimentou R$ 16 bilhões em 2007, segundo a Associação Brasileira de Venda Direta (Abevd). ''Minha primeira relação com os cosméticos foi como consumidora. Eu comprava da minha professora de ginástica. Daí comecei a mostrar o catálogo para as minhas amigas. Tudo que ganhava, revertia em produtos para mim'', relembra Lucinéia Costa, promotora de vendas da multinacional brasileira Natura.
''Concluí a faculdade e logo em seguida fui trabalhar na minha loja de roupas no shopping. Na época, eu também era consultora até que a Natura abriu um concurso na região para contratar uma promotora. Para exercer essa atividade a pessoa precisa ter curso superior. Depois que eu passei na seleção eu só me dedico a isso. Gostava da loja, mas hoje eu gosto muito mais do que faço.'', revela a responsável por treinar as consultoras de Londrina e Cambé, função que exerce registrada pela multinacional há 5 anos.
O trabalho informal é uma saída para quem não consegue arrumar emprego no concorrido mercado formal. A flexibilidade de horários e as atrativas margens de ganho são os principais estímulos. ''O salário das consultoras variam de R$ 200 até R$ 10 mil. Depende da estratégia de cada uma. Mas na média, a maioria fatura entre R$ 600 e R$ 1mil'', revela Lucinéia. Segundo a Associação Brasileira da Empresas de Venda Direta (Abved), hoje, há cerca de 1,87 milhão de revendedoras ativas no país. Houve um aumento de 18% com relação ao ano anterior e, na região metropolitana de Londrina, são 2.200 da Natura.
Do montante total faturado, 88% das vendas são atribuídas aos produtos de cuidados pessoais, categoria que engloba os cosméticos e a perfumaria, de acordo com a Abevd. ''Eu também trabalho com Herbalife e Vituria, além dos cosméticos. Na verdade sou uma revendedora de produtos da venda direta. Isso também dá para conciliar com o escritório onde trabalho e exponho os produtos'', revela uma vendedora que prefere não ter o nome revelado. Ela possui um cadastro de 390 clientes com 150 ativos. Formada em publicidade, não exerce sua profissão, e revelou que no mês de maio vendeu mais de 300 unidades e ganhou 'perto de R$ 1 mil'.
A legalidade na qual ocorre o trabalho das revendedoras é o ponto forte da informalidade da venda direta. Segundo o contabilista José Joaquim Ribeiro, essa é uma área saudável da informalidade. ''Normalmente essas empresas são organizadas porque fazem triagens e oferecem treinamentos na área de vendas. É uma atividade destinada às horas vagas e é feito geralmente por quem tem outro emprego fixo. Apesar de eu conhecer muitas que, em função da formação de uma clientela boa, deixou o emprego formal para vender cosméticos'', argumenta.

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