O homem vai ao mercado por prazer ou obrigação?
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segunda-feira, 22 de maio de 2006
Eli Araujo<br> Reportagem local 
Até um certo tempo, o homem e a mulher tinham papéis bem definidos na sociedade. Ao homem, como ''cabeça do casal'', competia a busca de recursos para o sustento da família, e a mulher tinha que ficar em casa cuidando dos filhos e dos afazeres domésticos.
Após a metade do século passado, o mundo passou por profundas transformações, mudando a relação homem-mulher e a participação de ambos no contexto sócio-econômico. Aos poucos, a mulher conquistou seu espaço no mercado de trabalho e sua independência. Hoje, uma boa parte das mulheres assume o papel de ''cabeça do casal'' ou se torna a única responsável pelo sustento da família. Com a inversão de papéis, o homem passou a cumprir tarefas que antes eram de competência da mulher. Uma delas, por exemplo, fazer as compras domésticas.
O novo comportamento do homem mudou a ''paisagem'' no interior dos supermercados. É comum a presença de homens, de todas as idades, com cestas ou carrinhos de compras, andando de um lado para outro, olhando gôndolas, conferindo preços e selecionando mercadorias. Em uma rápida observação, pode se constatar que a presença masculina nos supermercados está, na pior das hipóteses, empatando com a presença feminina.
O professor universitário Dirceu Estevão atribui o aumento da presença masculina nos supermercados ''à uma divisão de tarefas na casa em que a mulher trabalha e o homem tem mais disponibilidade''. Na opinião dele, ''o homem está deixando de ser machista e vendo que precisa contribuir - por necessidade ou solidariedade -, já que a mulher trabalha todo o dia ou porque não pode acordar tão cedo''.
Ao ser indagado se faz compras por prazer ou por obrigação, ele respondeu que ''é muito relativo, depende do dia; tem dia que a gente até se distrai, mas tem dia que é uma obrigação por necessidade de suprir a casa''. O professor Dirceu é solteiro, filho único e cuida da mãe, ''uma pessoa idosa''.
O empresário Toshiaki Hikazudani diz que sempre faz compras nos supermercados: ''Esse é meu dever de casa; hoje em dia, isso não pode ser trabalho só da mulher, o homem deve cooperar'', afirma. Ele tem mais condições de fazer as compras nos finais de semana e diz o que sente quando executa a tarefa: ''Eu compro por prazer, porque gosto de vir aos supermercados, mas em lojas não''.
Toshiaki deixa claro que ele faz as compras, mas quem manda, de verdade, é a esposa. ''Às vezes, eu compro alguma coisa que não deve, que a gente acha interessante, mas chega em casa e leva bronca: 'Porque comprou isso?' E eu falo: 'Porque gostei'.'' (Risos)
O funcionário público Jair Ciquini diz que recebeu da esposa a tarefa de fazer as compras domésticas. ''Eu faço compras todos os dias, quando necessário e também nos finais de semana; eu compro nos supermercados, nos açougues e em qualquer outro lugar''. Ele é casado, pai de dois filhos e não reclama da ''exclusividade'' na tarefa: ''Eu compro tanto por prazer quanto por obrigação''.
Quanto ao aumento do número de homens fazendo compras para casa, ele afirma que ''na verdade, acho que antes os homens tinham vergonha''. (Hoje, por exemplo, mesmo quando estão sózinhos, os homens não ficam com tanta vergonha ao comprar produtos de uso feminino).
Bem humorado, Jair diz que tem outro motivo para fazer as compras: ''Acho que com a mulher junto, a gente gasta mais; a minha, por exemplo, costuma pegar produtos sem ver os preços e a qualidade, enquanto eu comparo tudo e presto bastante atenção''.
O litro da gasolina está com preço entre R$ 2,55 e R$ 2,58 nos postos de Londrina; o álcool, entre R$ 1,85 e
R$ 1,88, e o Diesel, entre
R$ 1,73 a R$ 1,82.
Altas na Ceasa
A segunda feira chuvosa começou com três altas na Ceasa de Londrina. O limão taiti subiu 20%, passando para R$ 12,00 a caixa com 27 quilos; o pimentão de primeira também subiu 20%, passando para R$ 12,00 a caixa com 13 quilos; e a tangerina cravo subiu 33%, passando para
R$ 16,00 a caixa com 22 quilos.
Baixas
E três produtos sofreram queda de preços na Ceasa de Londrina: o maço de couve manteiga caiu 20%, passando para R$ 0,66 a unidade; o morango teve redução de 25%, passando para R$ 9,00 a caixa com 2,5 quilos; e o nabo caiu 50%, passando para R$ 3,00 o maço.
Excesso de oferta
Mesmo não sendo dia de promoção, uma rede de supermercado de Londrina estava vendendo a alface crespa por R$ 0,39 nesta segunda-feira; a alface americana por R$ 0,91, e a lisa por R$ 1,15. Há alguns dias, o preço da alface na feira estava em torno
de R$ 2,00.
Também as uvas
Em outra rede de supermercado, também fora do dia de promoção, a uva itália estava a R$ 0,99 o quilo, a rubi a R$ 1,99 e niagara a R$ 1,99.


