Oswaldo PetrinO hedge caipira
-As medidas aprovadas ontem pelo CMN (aporte de dinheiro captado no exterior, pela ‘‘63 caipira’’, para lastrear operações de vendas no mercado futuro - ver matéria na 1ª página deste caderno) vão ajudar a comercialização. Não são tudo que o setor precisa, mas ajudam. O ministro Francisco Turra, transmitiu confiança quando prometeu em Londrina, recentemente, que o governo iria incentivar mecanismos alternativos para comercialização agrícola. O motivo todos sabem: os recursos do Tesouro se exauriram há tempo.
-Restam as medidas complementares que vão normalizar e orientar a captação e o uso de recursos. Por enquanto, o que se tem de concreto é que setor agrícola terá financiamento com recursos externos para atuar no mercado de derivativos, como forma de garantir preços no mercado futuro.
-Seguinte: com a decisão de ontem, pelo CMN, o dinheiro captado pela 63 caipira pode ser utilizado pelos bancos na formação dos fundos, que por sua vez vão emprestar esses recursos para investidores pagarem o ajuste diário e as margens exigidas nos mercados futuros. Estes empréstimos vão impulsionar principalmente a entrada de produtores e cooperativas que precisam de recursos para bancar estes ajustes diários. Muitas vezes o produtor ainda nem vendeu sua safra, mas precisa pagar estes ajustes na bolsa. O financiamento, que tem juros mais baixos, capitaliza o produtor e torna o hedge na bolsa mais interessante.
-Os recursos de 63 caipira são captados com juros entre 12 e 15%, em geral. Bancos com grande carteira agrícola, como o Banco do Brasil, devem disponibilizar este novo crédito. Os futuros que devem se beneficiar da nova medida são café, soja e milho. É assim que o sistema deve funcionar. Mas vai ser preciso uma campanha de esclarecimento, quase que uma campanha educativa.
-Na bolsa a repercussão foi boa: o gerente de projetos da área agrícola da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Felix Schouchana, acredita (em entrevista à‘‘Agência Estado’’) que o uso da resolução 63 Caipira para cobrir operações de hedge nos futuros agrícolas deve ampliar os volumes desses mercados na bolsa.
-E já que a medida foi bem aceita pela BM&F, seria interessante que as bolsas se empenhassem em uma campanha de esclarecimento do mecanismo, clareando bem as vantagens e os riscos inerentes. Só assim conseguirão atrair os vendedores - agricultores e suas cooperativas. As cooperativas são parte importante no processo. Elas têm que participar e incentivar seus associados, desde que vislubrem benefícios concretos, que realmente existem. Devem ser parceiras das bolsas e não competidoras do mercado. Do contrário, o projeto não decola e a agricultura perde uma fonte de recursos. Álcool/mistura
O governo autorizou ontem o aumento do porcentual de mistura de álcool anidro na gasolina dos atuais 22% para 24%. A decisão foi adotada por meio de uma medida provisória e de um decreto, assinados pelo presidente FHC. Vigora dia 15 de junho.
Mistura 2
A medida representa um aumento no consumo de 500 milhões de litros de álcool por ano. Com a decisão, o governo atendeu uma demanda dos produtores de álcool que que têm estocados 2 bilhões de litros, sem comprador.
Mistura 3
Segundo os produtores, cada ponto porcentual no aumento da mistura significa um incremento no consumo de 230 milhões de litros por ano e evitará o desemprego de 25 mil trabalhadores rurais.
Gasolina limpa
‘‘Este aumento de álcool na mistura também significa a consolidação da gasolina brasileira como a mais limpa do mundo’’, diz nota distribuída pela Associação dos Produtores Autônomos de Álcool (Alco).
Proálcool vivo
Para os produtores, o governo mostrou a retomada do Proálcool. A medida já estava sendo analisada desde janeiro pela Comissão de Combustíveis, formada por entidades públicas e privadas, como lembra Gustavo Paul da AE.

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