O governo não sabe usar o pedal do freio
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 1997
Sergio Zardo 
Qualquer empresário, do mais modesto ao capital de indústrias, quando monta um negócio visa o lucro. Para conseguí-lo precisa, no mínimo, de uma boa equipe de funcionários e um bom produto para cativar clientes. O trabalho diário desta equipe, envolvendo também o dono do negócio, é para efetivar vendas, atrair consumidores e, ao final do mês, além de pagar todos os impostos que bisbilhotam o empreendimento, retribuir o esforço da equipe pagando os salários.
Agora, infelizmente, voltamos a (re)viver uma situação que tem gosto de pão velho, mas que retorna a pertubar a vida do empresário: o governo acha que o consumo está alto e força goela abaixo uma medida para restringir o consumo.
A restrição ao consumo se deve ao déficit da balança comercial, um mal que pode, acreditamos, ser combatido de outras maneiras. Diminuir o consumo interno, não é melhor caminho para que as exportações aumentem e o equilíbrio da balança se estabeleça. A privatização das empresas públicas deve ser prioridade para se obter rapidamente um investimento e a consequente queda dos preços de bens e serviços. As reformas administrativas e fiscal também são fundamentais. Diminuir o Custo Brasil através de investimentos maciços em infra-estrutura é uma questão urgente a ser considerada para que as exportações voltem a crescer. E para que, assim, o governo não necessite mais interferir no mercado interno com medidas impositivas e restritivas.
O governo, ao nosso ver, toma medida incoerente ao aumentar o IOF, pois ao mesmo tempo reduz, ou quase isenta-o, para os investimentos financeiros. Apesar dessas medidas restritivas ao consumo interno, contraditoriamente, incentiva progressivamente a instalção de indústrias estrangeiras de automóveis e eletrodomésticos. Setores que, em sua maioria, terão sua demanda suprida por brasileiros. Como o empresário estrangeiro reage diante de medidas tão incompreensíveis como essas ao pensar em investir no País?
Limitar importações é uma prerrogativa do governo, que pode, ao fazer uso dela, proteger setores que sofrem uma concorrência, muitas vezes desleal, que resulta numa dificuldade de continuar a produção e consequentemente ao estrangulamento, eliminando empregos nas fábricas. É papel do governo abrir o mercado, dando opções aos consumidores sim, mas é fundamental também que a empresa brasileira seja protegida e continue tendo seu espaço e gerando serviços para o País. É preciso dar prioridade às importações que venham, principalmente, trazer progresso e que nos coloque com a mesma visão do resto do mundo. Foi-se o tempo em que nos contentávamos com as sucatas do Primeiro Mundo. Queremos usufruir dos avanços tecnológicos para também conseguirmos aprimorar nossos produtos e concorrermos de igual para igual.
Se temos tido demanda é porque o governo eliminou a inflação e deu ao brasileiro a oportunidade de planejar seus gastos, já que os seus ganhos são previsíveis, para adquirir bens. Nesse círculo, todos ganham: o empresário, ao manter seu negócio e gerar empregos; o consumidor, conquistando seus sonhos de consumo, e o governo, com a geração de impostos.
Por que sempre quando se imagina que o consumo está aquecido, o olhar do governo se volta ao setor automobilístico? Será que é aqui que está a causa de todos os problemas que fazem a balança pender só para um lado? Parece-nos que o governo tem, exclusivamente, a intenção de tornar-se uma espécie de sócio sem risco dos setores automobilísticos e eletroeletrônico, cobrando um IOF mais alto. Mas, já que estamos sendo penalizados vamos trabalhar com esta regra, que, esperamos não venha a ser a primeira de várias outras para retrair o mercado.


