O fracasso do leilão da Copel
Após o fracasso do leilão da Copel, pelo menos duas questões estão ressaltadas no discurso oficial: os potenciais compradores acharam o preço elevado e o Chefe da Casa Civil do Governo disse que as finanças estaduais estão equilibradas e assim não dependem da venda da empresa. Na coluna desta semana, economistas avaliam este quadro.
Para o economista Luiz Antônio Fayet, a questão do preço está mal explicada para o público. De acordo com ele, a posição dos potenciais compradores reflete pelo menos três problemas referentes à operação. O primeiro está no fato de que existem atos e contratos (escândalos) que não foram totalmente abertos para conhecimento da população, alguns já denunciados ao Ministério Público e que poderão se converter em muita dor de cabeça para compradores, destaca.
O segundo problema apontado por Fayet refere-se às dúvidas quanto ao rigoroso cumprimento da legislação no processo de venda, ''havendo inclusive a hipótese de anulação judicial do negócio'', acrescenta. E, o terceiro ponto, são as grandes dúvidas pendentes sobre o comportamento do governo federal quanto a tarifas, litígios entre distribuidoras e geradoras etc.
Com este quadro de pendências, na avaliação do economista, é lógico que o negócio pode fracassar e indisponibilizar por longo período os depósitos de garantias. Como se diz no mercado financeiro, poderá tornar-se um grande
''mico''.
Sob o aspecto puramente econômico, Fayet explica que o preço da Copel, na ordem de 10 bilhões de reais, é muito barato, conforme constataram os economistas que assessoraram o Ministério Público em nome do Corecon-PR. O economista salienta que, apesar do curto espaço de tempo e da insuficiência de meios para trabalhar, aquele relatório revela que a empresa valeria no mínimo 15 bilhões, com a convicção de que aprofundando os estudos seria ainda maior. ''Desta maneira, o negócio não interessa a grupos empresariais que vivem de investimentos e da produção, que com tantas dúvidas só entrarão se for de graça, observa.
Quanto à afirmação do Chefe da Casa Civil, que falou com toda a sua responsabilidade pessoal e funcional, Fayet disse que ela é tranquilizadora por um lado, mas por outro amplia a polêmica, pois: ''Se o governo não tem problemas financeiros desesperadores, por que vender tão atabalhoadamente a Copel? Tem coisa''.
Fayet finaliza sua avaliação, afirmando que ''corre a notícia de que a pressa em vender se deve à necessidade de varrer para baixo do tapete uma série de coisas suspeitas, como aliás aconteceu no caso do Banestado". Para ele, a esperança da sociedade paranaense é de que o Judiciário julgue o caso ao rigor da lei e que não permita a ocorrência de prescrições para eventuais ilícitos que tenham sido cometidos. O economista Odisnei Bega, sem entrar no mérito do valor de venda da Copel, avalia que o fracasso da venda da estatal de energia teve como epicentro os atentados terroristas de 11 de setembro. ''Principalmente porque a economia americana vinha apresentando sinais de recessão e, com o atentado, as potenciais compradoras voltaram suas atenções para os investimentos já realizados, não estando propensas a novas aquisições neste momento de incertezas por que passa a economia mundial'', explicou.
Segundo ele, é lógico que os grupos interessados na compra irão esconder as reais razões da desistência, alegando ser o preço, assim como o interesse em adquirir partes da empresa, os motivos para tal posição. ''Da parte do Governo do Paraná, este deve estar revendo suas estratégias, buscando alternativas que possam atrair os compradores, estudando como a mais provável forma de venda da empresa, subdividindo-a em partes: a geração, a transmissão e a distribuição,recomenda. Bega conclui sua posição, afirmando que isso deverá ser feito porque os compromissos financeiros do governo são grandes; estando, entre eles, o resgate das ações ordinárias da Copel (com direito a voto) que estão causionadas como garantia dos precatórios junto ao Banco Itaú .
Corecon/PR
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