O encalhe no próprio pátio
O agronegócio, cuja primeira ponta, a da produção, foi usada, abusada e descartada pelo Real, despede-se da era FHC, com uma resposta silenciosa que, porém, não disfarça o sabor de revanche - ainda que involuntário - à política predatória de Malan, que só tirou proveito e não devolveu à ''âncora verde'' os benefícios que extraiu.
A recessão econômica que no ano passado não afetou o o mercado de máquinas - protegido pelo Moderfrota - este ano fez o mesmo setor mergulhar na recessão, a despeito da boa liquidez em pelo menos dois produtos, a soja e a carne.
Pois é, enquanto a imprensa nacional, hoje, deve destacar a mega promoção das montadoras de veículos de passeio, neste final de semana, para desovar seus mais de 170 mil veículos - o setor de máquinas enfrenta situação semelhante.
Do mesmo mal sofrem os setores de insumos e defensivos, neste início de semestre.
Mas o que pega mesmo são os setores automotivos. O número de encomendas à indústria de máquinas brasileira caiu 35,42% em maio na comparação com o mesmo mês de 2001.
Os números são da própria Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Há um crescimento estatístico, mas a queda nominal nas vendas foi forte.
O presidente da Abimaq, Luiz Carlos Delben Leite, informou ontem à Agência Folha, que as encomendas ao setor estão em queda desde o início do ano. As empresas que em maio do ano passado tinham, em média, pedidos para 25,2 semanas de produção, registraram pedidos para apenas 16,3 semanas de produção no mesmo mês deste ano.
Apesar desses números negativos, o faturamento do setor cresceu 7,57% em maio em relação ao mesmo mês de 2001. No acumulado do ano, a alta já chega a 15,66%. Mas, segundo ele, a redução nos pedidos poderá afetar o resultado do setor no ano.
A desaceleração econômica mundial e a queda de quase 100% nas vendas de máquinas agrícolas para a Argentina também devem influenciar os ganhos do setor. Na prática, não vendemos nada para a Argentina neste ano, disse, no início de maio, Martin Mundstock, diretor comercial da John Deere. Essa empresa responde por cerca de 60% das exportações de máquinas agrícolas brasileiras.
Finalmente, a contradição: o Plano Real que festejou o frango está amargando a inflação do ovo. É que, no grupo alimentação, o ovo aparece como vilão (pobre ovo, quem diria?) nesses exercícios de estatísticas para apurar aumento da cesta básica ou do próprio Índice Geral de Preços. É da FGV e foi divulgado ontem. Veja neste caderno de Economia.





