O ''empurrão'' dos militares
Guntolf van Kaick foi o primeiro presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), fundada em 1971. Ele lembra que o modelo cooperativista ganhou força no agronegócio durante o governo militar. Na época, havia algumas cooperativas de café e outras fundadas por imigrantes.
''Os valores do café no mercado internacional começaram a declinar. Procurava-se alternativas para a agricultura no Paraná'', afirma Kaick. Segundo ele, ao mesmo tempo, teve início uma crise de escassez de alimentos no mundo. ''O trigo estava a US$ 300 a tonelada''. O Brasil tinha dificuldades de importar o produto, segundo ele, por ser uma ditadura. ''Os mercados democráticos colocavam restrições'', afirma.
Sem conseguir importar, os militares implantaram o Plano do Trigo, passando a subsidiar a produção para evitar o desabastecimento e controlar a inflação. Dentro do programa de autosuficiência do trigo, segundo Kaick, estava embutido o cooperativismo. ''O modelo deu certo. O sistema cooperativista deslanchou'', afirma.
No Paraná, a Ocepar foi criada, tendo Kaick como primeiro presidente. ''A ocepar surgiu dentro desse contexto de reorganização do cooperativismo no Estado'', ressalta. De acordo com ele, a criação tanto da Ocepar como a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) estava prevista na lei do cooperativismo negociada com o governo militar.
''O cooperativismo era tutelado pelo governo. A liberdade de atuação só veio com a Constituição de 88. Foi a alforria do cooperativismo'', ressalta. Apesar desta tutela, ele garante que as cooperativas chegaram a enfrentar o governo na luta pela valorização da produção. ''Fizemos até marcha a Brasília'', conta. (N.B.)





