O mundo corporativo valoriza os funcionários que se apresentam para o jogo, atuam em várias posições e ainda correm para fazer o gol, numa alusão a um time de futebol. A comparação é pertinente, apesar das diferenças físicas, filosóficas e comportamentais dos escritórios em contraponto aos estádios. Mas, independentemente do campo de atuação, todos buscam a vitória. Num mercado competitivo e retraído, em que as competências e diversidades determinam o rumo das contratações e promoções, o importante é fazer a diferença.
Os profissionais mais assediados e disputados são aqueles que passaram por vários setores, inúmeros desafios e, por fim, tornaramse vitoriosos. Voltando ao exemplo esportivo, eles atacam e defendem com precisão. E nessa categoria de profissionais, o destaque é para os empreendedores. Não estou me referindo a pessoas que abandonam seus postos de trabalho para erguer seu próprio negócio na iniciativa privada.
Diante desta nova onda dentro das empresas, aumentam as exigências de quem trabalha nela. Assim, chegou o momento da gente versátil, com demandas multidisciplinares, dispostas a superar os desafios. Nessa gestão inovadora, ponto ou gol para os empreendedores. Na verdade, está em vantagem quem idealiza e implementa projetos inovadores, propicia estabilidade interna e externa, apresenta-se como líder e capacidade de envolver-se em ações de outras áreas, sem perder o prumo da sua. Trata-se do profissional dinâmico, proativo e inquieto.
O executivo empreendedor atropela o mito de que precisa ser jovem para ser eficiente, ou seja, garante-se maior vida útil ao profissional, mantendo-o na ativa por mais tempo. Dessa maneira, conserva-se o talento, em detrimento da faixa etária. Basta ser competente, audacioso e estar permanentemente antenado na era do conhecimento, entender seus conceitos, suas linguagens e suas mensagens.
Obviamente, ninguém se torna um talento da noite para o dia. O empreendedorismo também se conquista. Para chegar lá, não precisa ficar enfurnado dentro da sua sala, nem trabalhar mais do que os outros. Basta ser inteligente, racional, produtivo e focado nos resultados. A par disso, é necessário investimento no capital intelectual (o principal patrimônio), persistência e planejamento. O caminho é árduo, porém, compensador.
Distante dos bancos acadêmicos, ele não teme riscos em qualquer circunstância, na calmaria ou tempestade. É no gerenciamento de crises, por exemplo, que costuma se sobressair, com coragem suficiente para apresentar soluções, mudar sistemas ou procedimentos. São funcionários que não temem o novo, enfrentam a responsabilidade, encaram o desconhecido e aproveitam as oportunidades. É aquilo que disse no início sobre apresentar-se para o jogo. É um inimigo visceral da acomodação.
Nada disso acontece sem criatividade. O mundo globalizado enquadrou as organizações numa estrutura enxuta e com número menor de postos de trabalho. A fertilidade na criação unirá as competências comerciais, mercadológicas e técnicas. O executivo de alta performance será o elo de ligação dessas três vertentes. É o famoso fazer mais com menos. Não há mais espaço para as velhas receitas de bolo, isto é, o fato de uma tarefa estar sendo realizada da mesma maneira há um certo tempo não garante que seja o melhor caminho. A transformação do pensamento criativo em medidas concretas só trará vantagens e benefícios na condução do negócio.
O empreendedor é o profissional do momento. Dentro das empresas, virou referência para os colegas, fonte de segurança, consultor respeitado. Fora delas, transformou-se em objeto do desejo e elemento disputado para ocupar os primeiros escalões. Quem não quer ter em seus quadros um executivo linha-de-frente desse nível? Ele funcionará como uma vitrine da sua própria competência.

- Professor Júlio Sérgio de Souza Cardozo é presidente da Ernst & Young Auditoria e Consultoria.

mockup