O dinheiro que vem da cultura
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quarta-feira, 08 de junho de 2011
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
Não existem dados precisos para medir o impacto das atividades culturais sobre a economia londrinense. Mas uma conta simples, a partir dos orçamentos dos principais projetos realizados na cidade, revela uma cifra de R$ 5,9 milhões anuais. A maior parte desses valores, cerca de R$ 3 milhões, vem do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Quase a totalidade do restante, R$ 2,9 milhões, são recursos arrecadados por meio de leis de incentivo estadual e federal. Uma pequena parte é gerada nas bilheterias das apresentações artísticas e em oficinas e cursos ministrados pelos produtores culturais.
Não é possível saber quantas pessoas vêm de fora para consumir cultura em Londrina. Mas as estimativas do Londrina Convention Visitors Bureau, com base em dados do Ministério do Turismo, é que cada uma delas gaste cerca de R$ 320 por dia na cidade. ''A gente carece de informações a este respeito'', admite Diego Menão, executivo do órgão. Para ele, 40% do público dos eventos realizados na cidade são formados por turistas.
O secretário de Cultura, Leonardo Ramos, também lamenta a inexistência de indicadores mais precisos a respeito do impacto econômico das atividades artísticas em Londrina. ''Mas sabemos, pela própria dinâmica do Promic, que existe um impacto muito forte'', afirma.
Segundo ele, cada projeto aprovado pelo programa gera de 6 a 7 postos de trabalho. A grande maioria, no entanto, é informal. Em ligações feitas para as nove vilas culturais mantidas com recursos do Promic, a reportagem estimou a existência de 70 postos de trabalho, nenhum deles, no entanto, com carteira assinada. ''Mas estamos avançando também neste aspecto de profissionalização. Temos a Funcart (Fundação Cultura Artística) e os festivais, por exemplo, que mantêm quadros regulares de pessoal'', diz Ramos.
Ele ressalta ainda que as atividades culturais demandam serviços formais que geram ISS para o Município, tais como os de gráfica, de transporte e de costura. ''Além disso, a cada espetáculo apresentado, floriculturas, hotéis e restaurantes são beneficiados'', ressalta.
Questionado sobre a pequena participação de recursos privados na cultura local, ele alega que esta é a realidade de muitos países, não só do Brasil. ''Com a exceção de países como os Estados Unidos, onde há tradição de grandes mecenas, a maioria dos demais têm a cultura financiada pelo Estado. Só a França tem 60 companhias públicas de dança'', salienta.
Ramos observa ainda que, apesar de públicos, boa parte dos recursos captados pelos grandes eventos de Londrina vem de fora. ''O Filo, por exemplo, só recebe R$ 350 mil do município. O resto é dinheiro que vem para a economia local.''


