São Paulo - O rádio brasileiro se prepara para a digitalização. A televisão digital já tem data marcada para estrear: 2 de dezembro, em São Paulo. Já o rádio depende ainda de definições do governo. A expectativa do mercado é de que haja algum anúncio até quarta-feira. O País deve optar pelo padrão americano Ibiquity para o AM e o FM e pelo europeu Digital Radio Mondiale (DRM) para ondas curtas.
A tecnologia digital vai melhorar a qualidade do som, dando ao AM a qualidade do FM atual e ao FM uma qualidade próxima do CD. O Ibiquity permite a multiprogramação. Ou seja, a transmissão de mais de um programa ao mesmo tempo num único canal de rádio. As emissoras podem enviar aos aparelhos mensagens de texto e até pequenos arquivos de imagem.
Os problemas são o preço e a disponibilidade dos receptores. Nos Estados Unidos, onde o rádio digital é chamado de HD (sigla em inglês de digital híbrido), os modelos mais baratos custam US$ 120. Não existem radinhos de pilha no padrão Ibiquity, pois o sistema consome muita energia. Para o mercado brasileiro, onde predomina o ouvinte de baixa renda, essa situação pode ser um grande obstáculo à adoção da tecnologia.
O rádio está em 88% dos lares brasileiros, perdendo, em densidade, somente para a televisão. Cerca de 75% dos receptores são domésticos. Por causa das características do rádio digital, como o preço mais alto e a ausência do modelo portátil, a expectativa é que comece ser adotada primeiro nos automóveis.
A passagem do rádio analógico para o digital deve ser mais simples que a transição da televisão. A TV exige que cada emissora receba um canal novo para que continue a transmitir, simultaneamente, o sinal analógico e o digital. Para o rádio, não é necessário canal novo. O Ibiquity é um sistema Iboc (sigla de In-Band On-Channel) que permite que o sinal digital e o analógico sejam transmitidos em um só canal.
A indústria brasileira ainda não tem previsão de quanto sairiam os aparelhos por aqui.''

mockup