Evento reuniu representantes de diversos segmentos da sociedade organizada na região de Londrina
Evento reuniu representantes de diversos segmentos da sociedade organizada na região de Londrina | Foto: Roberto Custódio

O desafio econômico do governo Jair Bolsonaro (PSL) - que assumiu os rumos das políticas públicas do País há sete meses - foi um dos assuntos debatidos pelos painelistas durante a 14ª edição do EncontrosFolha com o tema Cooperativismo – A União traz resultados. A discussão foi mediada pelo editor de política da FOLHA, Diego Prazeres, e os convidados foram David Conchon, superintendente de negócios da Sicredi União PR/SP; Jorge Hashimoto, diretor-presidente da Integrada Cooperativa Agroindustrial; Omar Taha, presidente da Unimed Londrina; e o superintendente do sistema OCB, Renato Nobile.

Taha vê com otimismo a agenda de reformas em trâmite no Congresso Nacional. Ele citou que além da reforma trabalhista (governo Temer), e a da Previdência (governo Bolsonaro), é preciso trabalhar pelas reformas tributária e política. "Essa é a agenda básica que o governo tem que cumprir" citou.

O superintendente da Unimed Londrina cobrou maior investimento do governo federal em saúde pública. Segundo ele, entre os oito países que mais investem no setor, o Brasil é o único onde o investimento de saúde suplementar (operação de planos e seguros privados de assistência médica à saúde,) supera o investimento público.

"A saúde suplementar atende 38% da população, mas o investimento em tecnologia e infraestrutura é de mais de 60%". Isto é, nos países desenvolvidos o investimento do setor público é inversamente proporcional, acima de 60%. "Esperamos que essas medidas surtam efeito, que o governo recupere a capacidade de investimento e deixe a gente trabalhar. Não estamos pedindo isenção de impostos, queremos apenas condições de trabalho" complementou Taha.

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. | Foto: Folha Arte

REGRAS CLARAS

Na mesma linha, o superintendente de negócios do Sicredi considera que o setor tem autonomia para fazer a economia girar, mas exigiu que as regras e legislação sejam mais claras. "Do governo federal, precisamos que deixe o caminho para a cooperativa fazer o seu trabalho. Não precisamos de tanto impulso, mas não podemos ter tantas barreiras." Por outro lado, Conchon elogiou o Banco Central que tem regulamentado as metas do setor de cooperativas de crédito.

Para o gestor do Sicredi, o governo Bolsonaro precisa avançar na política de descentralização do poder de Brasília e adotar o pacto federativo. "É preciso delegar aos municípios, às empresas e às entidades o protagonismo. Não podemos esperar que a reforma da Previdência irá transformar a economia da noite para o dia, mas são medidas pontuais que poderão ajudar nossa economia."

INFRAESTRUTURA

O presidente da Integrada, Jorge Hashimoto, também mostrou otimismo com as reformas, mas citou a necessidade de mais investimentos em infraestrutura em estradas e portos, sobretudo para escoamento da safra agrícola. Segundo ele, a expectativa das cooperativas está na diminuição do chamado custo Brasil. "O governo precisa fazer a parte dele. Da porteira para dentro os agricultores estão se preparando. Em questão de eficiência e produtividade, podemos competir de igual para igual com qualquer player do mundo" ressaltou Hashimoto.

O superintendente do Sistema OCB informou que os ministério da Economia e Agricultura e o Banco Central são o tripé para políticas do segmento. Segundo ele, o principal trabalho das cooperativas com Brasília é convencer os agentes públicos que as políticas voltadas ao setor têm um retorno efetivo para a comunidade. "Às vezes, há dificuldade de entender que um CNPJ que movimentou bilhões é pulverizado em milhares de CPFs", disse ao citar políticas de crédito rural do governo central.

Nobile também considerou a reforma Tributária primordial para destravar a economia. "Nós da OCB temos um grupo técnico especialista nisso nos assessorando com o Congresso. A complexidade tributária atrasa o processo produtivo." Ele citou ainda a necessidade de regulamentar o ato cooperativo para evitar a bi-tributação que penaliza cooperativa e cooperado. "Até hoje ele não foi regulamentado, ele está previsto na Constituição, mas não há regulamentação".

Os painelistas do EncontrosFolha revelaram, contudo, que o cooperativismo é um ponto fora da curva por ter atravessado diversas crises econômicas."Nós vivemos numa bolha econômica dentro do Brasil, principalmente pela pujança da agricultura" pontuou Conchon. Para Nobile, o cooperativismo é "o grande colchão de amortecimento da crise".

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