O controle da inflação
Reinaldo Cefeo
O governo começa a se preocupar mais firmemente com a elevação da inflação. Ao longo desses anos adotou um modelo que contempla o controle da alta de preços segurando o excesso de demanda no mercado e, inicialmente, com um choque de oferta via importados (que também trouxe novos referenciais de preços ao país).
Agora, com os vários índices disponíveis, verifica-se um repique na taxa mensal da inflação (varia entre 1,10% à 1,89%). E não foi desenhado um modelo alternativo para ser implementado. Por exemplo: o setor produtivo está completamente desestimulado exatamente pela falta de demanda, provocada pelo governo. Não há portanto expansão da oferta. Se a oferta continua limitada e aumenta a demanda – alta de preços.
Por outro lado o governo foi muito feroz no reajuste das tarifas públicas. Recompôs praticamente todas as tarifas, repassando esses ônus a sociedade e naturalmente elevaram os custos das empresas.
No caso das empresas o enxugamento foi necessário, as margens foram sacrificadas, todavia, tudo tem seu limite. Abrindo espaço, alguns setores irão recompor essas margens e aí, se não houver condução impecável da economia, teremos a realimentação da inflação e o que é pior, a tentação da volta da indexação.
Seria um desastre a medida que o pior da crise brasileira foi assimilada pelos agentes econômicos e com surpreendente velocidade.
De qualquer maneira o próprio governo armou essa armadilha, afinal, demorou 5 anos para controlar suas contas e ainda, não implementou ações que dessem sustentação duradoura ao controle de preços (se acomodou no modelo em que a poupança externa garantia as contas públicas – interna e externa, não fez sua parte no controle dos gastos e ainda por cima não levou a frentre as reformas necessárias).
Sabem o que irá ocorrer ? Farão o discurso de controle de tarifas, de viés neutro nos juros e da necessidade de todos evitarem excessos, tanto os produtores como os consumidores. Para alguns setores o governo tem cacife para aumentar a oferta (estoques reguladores) e segurar a peteca, outros dependerão de importação e outros ainda de pura política.
Vejamos qual ou quais os caminhos serão trilhados. Conter só a demanda estamos cansados.
REINALDO CEFEO é economista

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