O médico londrinense Luciano Façanha, 62 anos, é um dos mais respeitados colecionadores de antiguidades do Brasil. No ano passado, reduziu seu acervo às peças de maior estima. Sem saber numerar a coleção, na ocasição promoveu um leilão numa renomada casa nos Jardins, em São Paulo. O evento consumiu três dias de negociações e foram três caminhões de mudança carregados com as melhores peças dos seus 30 anos como garimpeiro de relíquias.
  Criterioso quanto a definição de antiguidade, diz que só são consideradas relíquias peças com mais de 100 anos de idade. Outro ponto importante é ficar atento às possíveis falsificações. Segundo ele, ‘‘a menina dos olhos’’ dos grandes especialistas em velharias são os exemplares de arte sacra. São as mais caras do ramo e chegam a custar R$ 15 mil cada.
  Outra curiosidade é o valor dos móveis e obras de artes utilizadas na época do Império Brasileiro. A corte portuguesa costumava encomendar da Europa peças para decoração das dependências de seus castelos reais. Hoje, tais artigos não têm muito valor no Brasil, mas na terra de origem podem custar uma fortuna.
  Dentre seus preferidos estão os móveis, louças e vidrarias da dinastia de Napoleão Bonaparte. Antes de leiloar quase toda sua coleção, seu quarto era decorado com móveis autênticos de 1870, utilizados na corte de Napoleão III.
  Ele se define como um colecionador eclético. Já teve 300 paliteiros, dos quais guarda como recordação um modelo italiano de 1820, todo moldado em cerâmica. Dentre as obras de arte, já chegou a ter 60 telas de pintores famosos como do francês Luis Orsi. Um prato utilizado no casamento de Dom Pedro II é outra raridade que vendeu no leilão. Mas a mais interessante é sua coleção de penicos e escarradeiras. ‘‘Não sei explicar muito bem o porque, mas eu acho muito curioso’’, arremata. (R.O.)

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