Dedicar tempo ao lazer e trabalhar apenas o suficiente para cumprir tarefas pré-determinadas, sem levar trabalho para casa e nem comprometer o convívio familiar. Isto parece impossível nos dias de hoje para a maioria dos trabalhadores que se orgulha do estresse diário e da sobrecarga de trabalho. Um equívoco, segundo a tese do sociólogo italiano Domênico de Masi, que ontem fez palestra, em Curitiba, para uma platéia curiosa e atônita com as palavras e conceitos nada convencionais do professor que tem causado polêmica em todo o mundo. Autor do livro ‘‘O Ócio Criativo’’ e a ‘‘Emoção e a regra’’, Domenico de Masi é um crítico ferrenho do modelo social, da empresa moderna e da burocracia que impera nos escritórios, sejam públicos ou privados. ‘‘O burocrata é um ser irrecuperável, mas ele não é um vencedor, é um sádico. Não há lugar para ele na sociedade pós-industrial’’, profetiza. Com bom humor constante, Domênico de Masi não teme passar para a história como alguém que pregou o fim do trabalho. ‘‘Ócio criativo não é a preguiça. Não sou preguiçoso e até durmo pouco’’, brinca.

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