O Brasil é um país de empreendedores
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de março de 2009
Karla Losse Mendes<br> Equipe da Folha 
São Paulo -Dois de cada três brasileiros que abrem um novo negócio buscam aumentar a renda ou melhorar sua condição de vida. É o melhor resultado brasileiro nos últimos nove anos no chamado empreendedorismo de oportunidade em oposição ao de necessidade - caso em que o empreendedor busca meios para sua subsistência. Os dados são resultados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2008 - que mede as taxas de empreendedorismo mundial - divulgada ontem em São Paulo pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
A pesquisa, que cobre mais de 60 países e foi executada no Brasil em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ), também mostrou que o país manteve sua Taxa de Empreendedorismo estável nos últimos anos. Em 2008, de cada 100 brasileiros 12 executaram alguma atividade empreendedora. A taxa média do país entre as pesquisas realizadas desde 2000 é de 12,72%.
De acordo com o Gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae, Ênio Pinto, o número de brasileiros que empreendem por oportunidade cresceu porque a estabilidade macroeconômica brasileira permitiu o ingresso dos empreendedores por necessidade como colaboradores nas empresas. Isso permitiu ainda espaço para quem decidiu abrir uma empresa porque enchergou uma oportunidade de negócio no mercado. Segundo a pesquisa, o empreendedorismo de oportunidade passou de 38,5% em 2007 para 45,8% neste ano.
Apesar do avanço, o país ainda esta longe de ser modelo em número de pessoas que buscam nesse investimento a oportunidade de avanço econômico. Nos Estados Unidos o número é de 6,86 empreendedores de oportunidade para cada um de necessidade. Na França, o país mais bem colocado em relação ao quesito, a relação é de 8,35 para um.
Neri acredita que o empreendedorismo ainda não assumiu sua importância total no país por uma questão cultural. ''É mais simbólico ser de classe média no Brasil ter carteira assinada do que trabalhar por conta própria'', diz.
Para o professor, o empreendedorismo deve aumentar com os efeitos da crise econômica mundial como o desemprego. Mas, ele faz um alerta que registrar altos indíces não é sinal de desenvolvimento, é preciso analisar a qualidade desses empreendimentos. Ele exemplifica com o caso da Bolívia que teria índices de 29,82% de empreendedorismo mas continuaria um país pobre.
Inovação
Apesar de aumentar o número de empreendedores por oportunidade, a pesquisa GEM 2008 mostrou que a capacidade de inovação no setor ainda é muito pequena. Segundo a pesquisa, 84% dos entrevistados acreditam que ninguém considera seu produto novo, enquanto apenas 3,4% disseram que seu produto é inédito. Quanto às tecnologias envolvidas, 85,7% dos empreendedores disseram que utilizam tecnologia e processos com mais de 5 anos e somente 1,7% disseram utilizar metodologias com menos de 1 ano.
A concorrência também é uma preocupação entre os empreendedores. Na pesquisa, 65% afirmaram que seu negócio tem ''grande número de concorrentes'', 27,8% classificaram que possuem poucos concorrentes e 7,2% afirmaram que não sofrem concorrência.
A jornalista viajou a convite do Sebrae


