O Boticário fecha 2006 com queda no lucro
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sábado, 07 de abril de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Grupo O Boticário fechou o ano passado com queda de R$ 10,560 milhões no lucro líquido o que equivale a uma perda de 11,35% e a um montante de R$ 82,4 milhões. A redução foi provocada pelos investimentos realizados no Shopping Estação e no Centro de Convenções, o Estação Embratel Convention Center. O diretor jurídico-financeiro do grupo, Fernando Modé, explicou que os recursos aplicados nos dois empreendimentos desde 2000 refletiram em perdas de R$ 32,7 milhões no lucro, valor que foi contabilizado no balanço do ano passado fechado em 31 de dezembro. O balanço inclui as cinco empresas do grupo, a holding G&K, a Distribuidora Cálamo, a indústria Botica Comercial Farmacêutica, a empresa de logística Embralog e a de franchising.
Modé disse que caso o grupo não tivesse perdas no lucro motivadas pelo Shopping Estação, teria fechado o ano passado com R$ 115 milhões de lucro líquido, valor 23,8% superior ao apurado em 2005. Este foi um dos motivos que levou o Boticário a concentrar as atividades apenas na área de cosméticos. Em fevereiro, o Shopping Estação e o centro de convenções foram vendidos para a administradora de shoppings centers BR Malls.
Os investimentos no Estação vinham sendo realizados desde 2000, ano que o shopping foi comprado pelo presidente do grupo Boticário, Miguel Krigsner. O centro de convenções foi criado em março de 2004. Entre as mudanças que foram realizadas estão a cobertura do local, que tinha uma parte ao ar livre, o aumento do mix de lojas e a colocação de escadas rolantes. Em agosto de 2001, o Grupo PolloShop passou a ser sócio de Krigsner. A idéia era transformar o conceito para shopping de descontos. Mas, a parceria durou apenas até 2002.
''O Estação vinha dando prejuízo. O empreendimento ainda não estava em estágio maduro e não deu o retorno do investimento'', disse Modé. Ele acredita que, a partir deste ano, o shopping - estimado em R$ 153,9 milhões - comece a apresentar resultados melhores no lucro líquido. Mas, o retorno do investimento deve vir no prazo de cinco anos. Ainda é preciso considerar o desembolso que a BR Malls fez para comprar o shopping.
''Agora, vamos concentrar os esforços naquilo que temos melhor capacidade de gestão que é a área de cosmésticos e perfumaria'', destacou. Neste ano, o Boticário completa 30 anos de atuação. Ainda segundo ele, o valor obtido com a venda do Estação será aplicado no desenvolvimento das atividades do grupo e na atualização do parque industrial. ''Não temos nenhuma aquisição de empresa prevista no setor e nem fora dele'', disse. Modé também negou os boatos de que o grupo seria vendido para a fabricante de cosméticos Natura.
O grupo ainda pretende vender a participação de 12% que tem no Shopping Mueller de Joinville (SC). O analista de mercado da Estratégia Soluções Financeiras, Mohamed Talah Junior, disse que o Boticário também foi prejudicado pela queda do dólar que barateou o preço dos perfumes importados.
''O que o grupo fez de bom foi a abertura da linha de maquiagem e cremes. Se as atividades fossem concentradas apenas em perfumaria, teria amargado um resultado pior. Esta mudança foi uma estratégia de sucesso'', disse. Ele acredita que o grupo está se preparando para entrar na bolsa de valores e se tornar uma companhia de capital aberto. Segundo Talah Junior, a empresa já tem programação para isso mas só está esperando o melhor momento. ''O mercado de ações é a forma mais barata para captar recursos'', disse.
O Boticário é vendido em 1.415 municípios através de 2.300 lojas. Fora do Brasil são 61 lojas, 17 quiosques e 1.200 pontos-de-venda em 24 países. Em 2006, o grupo fechou com faturamento bruto de R$ 780 milhões contra R$ 709 milhões em 2005.


