O barato pode sair mais caro, alerta economista
Curitiba - Mesmo com as promoções, o produto pode sair mais caro que o desejado. Para se ter certeza de que os descontos irão valer a pena, é importante considerar as condições de pagamento. As dicas são do economista José Pio Martins.
Segundo ele, nesta época três fatores fazem com que os descontos sejam reais e, em geral, tornam a compra vantajosa. Entre eles, o custo de manutenção dos estoques, que é muito alto para as empresas e torna lucrativa a venda, mesmo a preços mais baixos. Outro fator seriam as sobras de estoque de final de ano, com um excesso de produtos que não foram vendidos no Natal. Além disto, as promoções aquecem as vendas, naturalmente mais lentas após o Natal.
Mesmo com um desconto real, o economista alerta que o custo pode não ser ideal em compras de liquidação que serão financiadas. ''Nestes casos, é preciso analisar o valor com a taxa de juros e não o valor à vista'', disse.
O consumidor deve prestar atenção também à algumas liquidações de produtos de mostruário. ''O consumidor precisa estar atento à qualidade dos produtos e é importante esclarecer todas as condições da venda'', disse. Martins afirma, no entanto, que direitos como a devolução do produto em caso de defeito não podem ser afetados pelas promoções e o cliente deve guardar documentos como a nota fiscal de compra e garantia.
Em caso de compras a prazo, é preciso que o cliente analise antes suas possibilidades. Para quem pretende utilizar o crediário próprio da loja, a atenção à taxa de juros deve ser redobrada. ''Em geral, os juros de crediários próprios são bastante altos'', afirmou o economista. Uma opção que deve ser descartada é utilizar o cheque especial para realizar as compras. ''Os juros são extramamente altos e acabam fazendo o desconto não valer a pena'', disse.
Uma boa opção é o parcelamento no cartão de crédito sem acréscimo ao valor à vista. ''O cliente não deve optar no entanto por parcelar a fatura do cartão, porque novamente os juros são muito altos'', explica. O financiamento bancário, sobretudo para produtos de maior valor, também pode ser uma boa opção, com taxas mais toleráveis.
Mesmo com os descontos é preciso pensar bem antes de comprar e não olhar só para o momento presente. De acordo com Martins estudos mostram que o mês de fevereiro, por exemplo, tem um custo entre 20% e 30% maior que outros meses. ''Temos tributos como IPTU e IPVA, além da volta as aulas que acarreta matrículas e despesas com materiais escolares'', afirma. Ele alerta que é importante colocar todos estes custos na ''ponta do lápis'' para não desequilibrar o orçamento.
E, mesmo com as promoções, vale a máxima da economia: pesquisar para conseguir comprar o melhor produto com o menor preço. ''No geral o preço dos produtos é menor neste mês mas existem diferenças entre uma loja e outra. É claro que fazer pesquisa é sempre bom e necessário'', concluiu. (K.L.M.)





