São Paulo - A valorização do produto nacional e a alta do dólar fizeram com que o artesanato brasileiro ganhasse posição de destaque no cenário atual. Antes relegado às lembrancinhas de turistas, do tipo ''eu estive lá e lembrei-me de ti'', hoje os trabalhos brasileiros ganham o exterior e, principalmente, o mercado interno.
''Estamos vivendo um momento feliz, os arquitetos e decoradores que antes não davam muito valor para as peças nacionais estão descobrindo que há muita coisa boa neste mercado a custos bem menores que os importados'', afirma o coordenador do Núcleo de Artesanato do Sebrae-SP, Roberto Mauro dos Santos.
Há três anos o Núcleo desenvolve um programa para a capacitação de artesãos no Estado de São Paulo. ''Identificamos uma técnica comum usada por um grupo de artesãos em determinado município e damos todo o treinamento gerencial e comportamental, além de disponibilizar um designer para adequar as peças à necessidade do mercado, mas sem perder a tradição local'', diz.
Para garantir a capacitação dos profissionais e qualidade dos produtos, foi criada a marca Arte que Vale, que indica que a região teve treinamento do Sebrae-SP. ''Além de capacitar os artesãos, um dos principais objetivos é resgatar técnicas que se extinguiram ou estão desaparecendo'', afirma Santos.
Uma dessas iniciativas ocorreu na zona rural de São Carlos (SP), onde duas artesãs, Estela Regina Silva e Nelcy Bastos resgataram o panô ajour, técnica de bordado de origem européia introduzida na cidade pelos imigrantes italianos, e que utiliza juta desfiada e retalhos de pano. Hoje são 46 grupos de artesãos, com média de 20 pessoas cada, que já conquistaram espaço em grandes redes varejistas.
Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, os 8,5 milhões de artesãos brasileiros movimentam cerca de R$ 28 bilhões ao ano o equivalente a 2,8% do PIB.

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