O setor de máquinas e equipamentos agrícolas e produtos rodoviários não saiu ileso em um dos anos mais difíceis para a economia brasileira. A comercialização desses produtos caiu 34,5% em 2015 no comparativo com o ano anterior. De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no ano passado foram comercializadas 44.944 unidades, contra 68.516 produtos em 2014.

No comparativo mensal, os números mostram uma diferença ainda maior. Em dezembro de 2015, por exemplo, foram comercializadas no Brasil 2,1 mil unidades de máquinas agrícolas e rodoviárias, volume 45,9% inferior ao contabilizado no mesmo período do ano anterior, quando foram vendidas 4,1 mil unidades.

O setor de tratores de rodas, carro-chefe do mercado, comercializou no ano passado 37.275 unidades, ante 55.623 tratores vendidos no ano anterior. As vendas de colheitadeiras de grãos sentiram também em 2015. No ano passado foram vendidas 3.917 unidades, contra 6.330 máquinas no ano anterior.

Ney Mendes Pereira, diretor comercial da Dimasa, concessionária da Massey Ferguson em Londrina, afirma que as vendas de máquinas e equipamentos caíram 28% em relação ao ano anterior. Em 2015 foram comercializadas 112 máquinas na concessionária, contra 157 unidades no ano anterior. Pereira atribui às crises econômica e política que o País enfrenta os fatores principais que contribuíram para a redução.

Além disso, o diretor completa que o aumento dos juros de financiamento, que passaram de 5,5% para 7,5% ao ano, também prejudicou as vendas. "Em 2016 esperamos um ano parecido se não houver mudanças", destaca. Pereira completa que a venda de peças e a prestação de serviços é que vêm mantendo os concessionários. Pereira afirma que crises são ciclos e espera que em breve este passe.

Polo regional
Como o polo regional de Londrina é baseado no agronegócio, alguns concessionários não sentiram tanto a crise econômica no ano passado. Renata Gomes, assistente comercial da Agricase, revendedora da marca Case IH, explica que no ano passado o agronegócio foi muito bom para a região. Ela observa que o valor favorável das commodities agrícolas propiciou muitos produtores a trocarem de equipamento.

Mas para 2016, Renata afirma que será um ano difícil para a comercialização de máquinas e equipamentos agrícolas devido ao excesso de chuvas que vem atingindo todo o Paraná, podendo atrapalhar o bom andamento da safra. Com essa insegurança durante o plantio, segundo ela, muitos não renovam a sua frota.

Juros altos
Ricardo Delong, produtor de grãos na região de Londrina, afirma que a atual conjuntura econômica não propicia a compra de um novo equipamento. Ele diz que só adquirirá um maquinário se for de extrema necessidade, como a aquisição de uma nova área, por exemplo. Segundo o produtos, os juros estão muito altos e o limite de financiamento de um equipamento caiu de 90% para 70%, deixando a renovação de frota inviável.

Imagem ilustrativa da imagem O ano em que as máquinas emperraram
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