O ajuste da consciência política
Farage Kouri
De acordo com as informações que circulam nos meios empresariais internacionais, há no plano mundial um visão otimista em relação à economia brasileira. De certa maneira, mais serena do que aquela que se alimenta dentro do País, porque se embasa em estudos do desenvolvimento no plano estratégico que são isentos do fator ingerente da cultura política nacional. O reconhecimento da potencialidade econômica do Brasil não é novidade. É assunto até antigo. Mas é referenciado em dois aspectos. O primeiro, na enorme potencialidade de recursos humanos e naturais deste País que é a própria plataforma continental nos meios político-institucionais: a potencialidade do empreendimento empresarial.
Essa visão empreendedora vem suportando ao longo de mais de uma década os trancos das variadas versões da política de desenvolvimento econômico e social em vários governos. Desde o cruzado até o real, tudo se fez e tudo se faz no plano empresarial para que a economia do País evolua e alcance o patamar desejado pela sociedade brasileira. Nessa luta sem tréguas, muitos sucumbiram, outros ficaram à deriva nos mares revoltosos de uma economia politicamente insustentável. Mas a sobrevivência é a própria esperança ainda retida na caixa de Pandora.
O mal que perdura não deve permanecer por mais tempo. Antes tarde do que nunca, a sociedade brasileira deve bradar pela evolução da consciência política como necessidade inadiável no plano da organização econômica e social. A credibilidade internacional na potencialidade da economia brasileira, que livra o País dos ataques especulativos à moeda, poderá se esvaziar na medida em que não evolua a cultura política para uma verdadeira consciência da nacionalidade que se ajuste às potencialidades referidas.
Assim, urge que a sociedade organizada compartilhe do debate político em torno da reformas estruturais no Congresso Nacional. Mas que se faça com a devida competência, por meio da sociedade civil, a sociedade organizada. Está na hora se separar o joio do trigo, de harmonizar os ideais de uma sociedade democrática e moderna como o fogo de encontro ao conservacionismo político-institucional, aquele do fisiologismo, do clientelismo político, da barganha que faz do Parlamento uma instituição de arremedo, verdadeiro balcão de mercenários, mesmo que em seu seio ainda haja mais trigo do que joio.
Em todas as reformas estruturais - administrativa, previdenciária, fiscal e tributária - assenta-se a esperança dos brasileiros. O Estado brasileiro não poderá continuar sendo o vilão na luta pelo desenvolvimento, a grande instituição atacada pela pequenez de uma consciência política devastadora dos ideais da nacionalidade, da ética, da moralidade, parta que se possa realmente sonhar e ter a certeza de um futuro realizador e promissor.
O empresariado, que desde o cruzado até o real tudo fez e tudo faz movido pelo sentimento desenvolvimentista, evolutivo do ponto de vista da nacionalidade, tudo continuará fazendo, para ser coerente com sua vocação e pontencialidade. Mas, espera que o segmento político também faça sua parte, que é viabilizar institucionalmente o desenvolvimento do país.
- FARAGE KOURI é médico, empresário e presidente da FACIAP (Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná).

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