O agronegócio brasileiro do futuro
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sexta-feira, 04 de setembro de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Recuperar áreas degradadas, incentivar o plantio de florestas e ordenar a oferta de insumos agrícolas estão entre algumas iniciativas que permeiam o plano de desenvolvimento agrícola do País. O objetivo dessa agenda do futuro, que prevê medidas de longo prazo, é promover a produção sustentável, gerar renda aos produtores e consolidar a liderança brasileira no mercado agrícola mundial. Atualmente, o País detém 25% desse mercado.
Os ministros da Agricultura e do Abastecimento, Reinhold Stephanes, e da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Daniel Vargas, que estiveram ontem em Londrina para discutir o assunto com representantes de instituições de pesquisa e lideranças do agronegócio, também apontaram como objetivos da agenda agrícola a superação do contraste entre grandes e pequenos produtores, a industrialização rural e a formação de uma classe média rural hegemônica.
''É interessante pensar em um arranjo produtivo que seja válido para todos os tipos de culturas e valorizar pequenos e grandes produtores'', ressaltou Vargas. Entre as ações, ele apontou a popularização dos instrumentos financeiros que poderiam assegurar e estimular a produção. ''Operação em bolsa, por exemplo, só está disponível para grandes. Queremos abrir para participação de pequenos e médios produtores'', assinala o ministro.
Apesar de estar ainda em formatação, Vargas observa que um dos principais pontos de ação da agenda será a recuperação de áreas degradadas e o incentivo ao plantio de florestas. Segundo o ministro da SAE, o mercado de madeira movimentou aproximadamente US$ 230 bilhões no mundo em 2008 e o Brasil representou apenas 3,2% do volume comercializado. ''Temos oportunidade para crescer dentro desse mercado. Podemos investir no plantio de florestas em áreas de pouca produtividade ou degradadas'', exemplificou.
A agenda agrícola conta com ações estratégicas para os próximos 30 anos e está sendo pautada a partir de visitas de representantes dos ministérios em todas as regiões brasileiras. O plano deve ser lançado oficialmente até o final deste ano.
Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Lopes Kireeff, a iniciativa de se formatar um plano de desenvolvimento agrícola deve ser aplaudida. ''Fiz questão de entregar hoje (ontem) aos ministros uma cópia do discurso de inauguração do Parque Ney Braga, em 1964. Já naquela época foram abordados problemas que não foram superados pelo setor porque nunca foram enfrentados de maneira estratégica'', frisou. Entre os pontos, estavam política sanitária, diversificação agropecuária e pedido de intervenção para resolver distorções entre grandes e pequenos produtores.
Na opinião do presidente da Rural, é fundamental que a agenda contemple uma política de renda ao agricultor. ''Através de um planejamento de segurança alimentar, por exemplo, poderemos garantir renda aos produtores, direcionando a produção para os interesses da nação'', destacou.
Fonte de boa parte da tecnologia aplicada na agricultura do País, a Embrapa terá um papel fundamental no desenvolvimento do plano agrícola e no momento de colocá-lo em prática. ''A pesquisa como um todo é importante para alicerçar esse plano'', pontuou Pedro Arraes, presidente da Embrapa, destacando que existem muitos desafios a serem superados pelo setor, entre eles as mudanças climáticas.


