Brasília - O brasileiro tem substituído alimentos típicos da culinária nativa, como arroz e feijão, por fontes alimentares com gordura. ''Tem se consumido mais gordura, refrigerante. Isso tem certa repercussão na saúde, como o aumento de doenças como obesidade, diabetes, hipertensão. O consumo alimentar está apresentando essa transição, que não é tão saudável quanto esperávamos'', disse em entrevista à Rádio Nacional, a nutricionista da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Kyara França.
Baseada nessa constatação, revelada por meio de pesquisas, a nutricionista defendeu a criação de políticas públicas para estimular o brasileiro a se alimentar melhor. O primeiro passo, segundo a nutricionista, seria reforçar a divulgação da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Taco), elaborada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com financiamento do governo.
A Taco, segundo Kyara França, é distribuída em universidades, indústrias e centros de referências da área nutricional. A tabela, que está na quarta edição, informa o valor nutricional de várias preparações típicas brasileiras, e atualmente conta com 400 composições alimentares. Outras 100 estão em estudo.
Mudanças - As alterações propostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nas propagandas e comercialização dos produtos de baixo valor nutritivo devem mexer com o faturamento das empresas do setor alimentício. Refrigerantes, chocolates, balas, massas, biscoitos e sorvetes, que têm faturamento perto dos R$ 40 bilhões, podem estar com os dias contados. As principais empresas afetadas no País devem ser a Coca-Cola, Pepsi, Nestlé, Arcor, Kellog's e Unilever (dona da Kibon).
A proposta da Anvisa teve a consulta encerrada nesta semana e ainda está em fase de discussão do seu formato final. A data da audiência pública que será realizada em Brasília ainda vai ser marcada. As medidas integram a Consulta Pública nº 71, de 10 de novembro de 2006. As regras dizem respeito às propagandas e informações sobre alimentos com quantidades elevadas de açúcar, gorduras saturadas e trans, sódio e bebidas de baixo valor nutricional.

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