Nurce pede mais 6 prisões
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terça-feira, 22 de agosto de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) pediu a prisão temporária de seis pessoas, sendo cinco da rede de postos de combustíveis de Maringá e um fiscal do Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem) de Curitiba. Estas pessoas estariam envolvidas em um esquema de corrupção ativa, passiva e formação de quadrilha no setor de combustíveis. Foi aberto um novo inquérito pelo Nurce para investigar o assunto. A operação foi batizada de Libra 2 e dá continuidade ao trabalho iniciado na semana passada.
No dia 16, o Nurce já tinha deflagrado a operação que cumpriu seis mandados de busca e apreensão simultâneos em Maringá e Curitiba. Na ocasião, as buscas aconteceram em um escritório e três postos em Maringá e ainda na sede do Ipem, em Curitiba. Além disso, foi identificada a cobrança de propina por parte de fiscais do Ipem para não autuar os donos de postos por irregularidades.
Segundo o delegado do Nurce, Sérgio Inácio Sirino, foram abertos dois inquéritos policiais para investigar o assunto. Um deles trata de possível corrupção de fiscais da Receita Estadual, do Ipem e da Agência Nacional de Petróleo (ANP). O outro investiga formação de quadrilha, dumping, concorrência desdeal e cartel por parte dos postos.
Sirino disse que há indícios de que uma pessoa que realiza a gestão da rede de postos teria pago R$ 6 mil em propina para fiscais da Receita Estadual para não sofrer fiscalização. A polícia ainda tem gravações e depoimentos de que haveria um sistema de lobby para corromper fiscais da ANP por parte da rede Juninho.
Segundo o delegado, a rede teria três postos mas há suspeitas de que sejam mais de 20 estabelecimentos com a atuação de laranjas. De acordo com informações extra-oficiais do setor, a rede teria cerca de 40 postos. Os três postos da rede em Maringá, que foram objeto de busca e apreensão na semana passada, pagaram a autuação e, por isso, estão funcionando normalmente. Ainda conforme o delegado, um caminhão da rede de postos comprava o álcool diretamente das usinas sem nota fiscal e sem passar por nenhuma distribuidora.
''Após a operação da semana passada, ficou constatada a adulteração de dez bombas de combustíveis em postos da região de Maringá pelo Ipem'', disse Sirino. Em uma das bombas a fraude constatada era adulterar a bomba de sucção interna para que saísse ar comprimido no tanque do consumidor ao invés de gasolina e se registrasse a saída de combustível.
Na operação Libra 1 foram pedidas cinco prisões preventivas e mais duas temporárias, que ainda não foram expedidas pela Justiça. As duas operações totalizam 11 pedidos de prisões preventivas e dois de prisões temporárias.
Segundo o delegado, outros dois fiscais do Ipem estariam envolvidos no esquema. ''Além deles, sabemos do envolvimento de fiscais da Receita Estadual e de uma pessoa da ANP'', contou. A ANP foi procurada pela reportagem mas não deu retorno até o fechamento desta edição. Os diretores da Receita Estadual estavam em reunião e não puderam conversar com a Folha.


