''Não tenho me informado muito a respeito, mas acho que as coisas vão permanecer ruins, do jeito que estão hoje''. O comentário do aposentado Arlindo da Silva não poderia ser mais coerente. Diante de tantas notícias positivas referentes ao reaquecimento da economia a partir de 2004, como não estar otimista? Só se mantendo alheio. Redução da Selic e dos compulsórios, criação de linhas de financiamentos para a compra de eletrodomésticos e a consignação em folha de pagamento. Medidas tomadas pelo governo federal para incentivar o consumo e, consequentemente, gerar empregos e renda. Os primeiros efeitos são, obviamente, psicológicos, visto que reflexos reais da queda de juros, por exemplo, demoram a ser repassados para o consumidor. O desafio para os economistas e lideranças do setor produtivo, daqui para frente, é definir a linha que separa o psicológico do prático, de fato.
A opinião do presidente da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, é de que existem condições objetivas para o crescimento contínuo do Brasil. ''Vai começar com ritmo pequeno, o que é natural, mas vai acelerando aos poucos'', acredita. As expectativas para o Paraná vão ainda além do que projeta-se para o Brasil de 2004, que deve apresentar crescimento entre 3% e 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). ''O Paraná deve crescer de 5% a 6%''.
''Isso é típico de político. Sinceramente, não acredito que as coisas devam melhorar''. É bem provável que a arte-finalista Patrícia de Carvalho tenha que mudar o foco de suas cobranças, pois de acordo com o economista e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Henrique Gumerato, o governo vem, sim, tomando as medidas necessárias para a retomada do crescimento. Para ele, a redução dos juros, por exemplo, já surtiu impacto imediato no volume de investimentos realizados pelo setor industrial. ''Temos como prova os números do IBGE relativos a setembro, que já apontam para maior oferta de empregos e reaquecimento das linhas produtivas''.
Além da queda da Selic, o conjunto de medidas, para Gumerato, já está melhorando o perfil de concessão de crédito. ''A baixa dos juros diminui o custo do dinheiro e, consequentemente, os riscos de inadimplência que, por sua vez, é um dos parâmetros utilizados para o cálculo dos próprios juros. O processo se torna cíclico''. Segundo Gumerato, a iniciativa, agora, deve vir do setor industrial.
''Acho que o que falta é um compromisso maior de toda a sociedade. Os bancos, por exemplo, deveriam repassar mais rapidamente a queda dos juros para o consumidor''. A cobrança do bancário João Antônio da Silva Neto está em uníssono com a de lideranças econômicas de todo o País. Entre elas, a do presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcos Domakoski, defensor ferrenho da redução da taxa compulsória, que recolhe para o Banco Central 45% de todos os depósitos feitos à vista. ''A somatória de todas as medidas tomadas pelo governo devem trazer benefícios para o País. Já temos indicativos suficientes para acreditar em crescimento, como os resultados da Bovespa e a queda do risco-país (pela primeira vez em quatro anos abaixo dos 600 pontos)''. Como exemplo, Domakoski cita o volume de encomendas feitas pelo comércio à indústria. ''Esse número aumentou. Estamos com ânimo renovado'', afirma.

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