Rio de Janeiro- Enquanto os pobres brasileiros vivem momentos de acelerada melhoria econômica, com taxas de crescimento da renda per capita equivalentes à chinesa no segmento mais baixo da pirâmide social, a classe média do País está em plena estagnação, inclusive com queda de rendimentos de 2001 a 2005.
Os números são impressionantes. O aumento de renda naqueles quatro anos dos 10% mais pobres no Brasil foi de 35,9%, ou de 7,9% ao ano, ligeiramente inferior aos 8,2% de crescimento anual da renda per capita chinesa entre 1990 e 2003, um período de fantástica expansão do gigante asiático. A renda dos 50% mais pobres subiu respeitáveis 16% entre 2001 e 2005. A história foi diferente, porém, no caso do rendimento dos brasileiros com renda familiar per capita superior a R$ 925, que correspondem aos 10% mais ricos e que na sua grande maioria pertencem à classe média: neste segmento, houve queda de 1,3% naquele período. Entre os 20% mais ricos, o recuo foi de 0,5%.
O economista Ricardo Paes de Barros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nota que o desempenho da renda da camada mais rica - equivalente à classe média no sentido convencional - é similar ao dos países de pior performance econômica no mundo.
Bolsa Família - As razões para o crescimento da renda dos pobres são os programas de transferência como o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo, as melhorias educacionais e as mudanças no mercado de trabalho. Já no caso da classe média, há um consenso de que a estagnação deriva em boa parte do crescimento pífio do PIB brasileiro nas últimas décadas, com uma média em torno de 2,5% ao ano.
Para o economista Márcio Pochman, da Universidade de Campinas, ''um dos aspectos marcantes na crise da classe média brasileira é o bloqueio da mobilidade social''. Ele foi um dos organizadores do livro ''Classe Média - Desenvolvimento e Crise'', lançado este ano, o primeiro da série ''Atlas da Nova Estratificação Social no Brasil''.
No livro, os autores notam que a forte industrialização brasileira de 1930 a 1980 levou à emergência de uma ''classe média assalariada'', formada por gerente, administradores, burocratas e professores universitários. Ligada a grandes empresas e ao dinamismo industrial, esse estrato se contrapunha à antiga ''classe média proprietária'', composta por pequenos proprietários rurais, proprietários de negócios comerciais e profissionais liberais.(A.E)

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