Dependendo do relatório que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgar amanhã, o mercado da soja pode ‘‘decolar’’, durante a semana. O relatório desta segunda-feira vai revelar as condições da lavoura - prejudicadas nas últimas semanas, quando tudo parecia estar a salvo. Na terça-feira, um novo levantamento, este em cima de projeções, vai apontar as condições de oferta e demanda da soja e derivados. É preciso analisar todas as variáveis a partir da influência a ser exercida polos relatórios, observa o analista de mercado Leonordo Junho Sologuren, da FNP, ouvido ontem por este jornal.
Uma coisa é certa, para a maioria das tradings: a safra norte-americana não será tão portentosa como esperava até três semanas atrás. Duas empresas de consultoria de credibilidade no mercado, a Farmers Commodities Corporation e a Sparks, estão apontando queda da colheita dos Estados Unidos, respectivamente de 77,4 milhões de toneladas e 79,6 milhões de toneladas. Bem abaixo das 83 milhões de teneladas, porém acima das 71,9 milhões da safra anterior, que encorajou a ampliação do plantio em outros países.
O fechamento em alta - nos contratos de maio - na Board of Trade prenunciam a chance de um aquecimento do mercado, tanto nos contratos futuros de commodities, como no disponível do mercado. Na quinta-feira o bushel (27,2 kg) fechou com média de (US$) 5,2625, na sexta-feira 5,3000, sendo que na terça-feira já havia fechado firme em 5,3775. Para o mercado brasileiro não precisa referencial melhor. É que esses preços se referem aos contratos de maio, que exercem influência direta sobre a temporada de comercialização da próxima safra brasileira.
Não é por acaso que o mercado interno parou na última semana, aproveitando que houve um feriado. Embora há pouca soja a ser comercializada, o mercado externo neste momento está balizando as vendas futuras. Só que ninguém quer fixar, a não ser após uma boa avaliação na terça ou quarta-feira próximas. Dependendo dos números do USDA, as CPR e CPR financeiras terão chance de alavancar.
Os operadores de mercado que havia sentido o sabor de um mercado em alta, como nos velhos tempos, torceram o nariz para o mercado esta semana que passou. É que os produtores sentaram em cima do saco de soja depois da reação no início do mês. Paranaguá fechou em US$ 10,80/11,00, como poucas vezes no início do ano. E Ponta Grossa bateu R$ 19,00 (em alguns casos R$ 20,00) no mercado de lotes.
Mas é tempo de muita atenção no mercado. A chance de um bom preço pode ser mais efêmera do que se pensa. É por isso que empresas de consultoria experiêntes como a FNP porpõem que o produtor fique de olho no mercado. É hora de os agricultores se preocuparem com a vendas de parte da próxima safra. A alta atual dos preços no mercado externo é um bom momento para essa decisão, sugerem.
Portanto, é preciso ficar com um olho nos preços de Chicago e outro nos próprios custos. Os analistas de mercado alertam que nos últimos 20 anos a média de preços da saca de soja paga ao produtor na lavoura esteve a US$ 10 em abril. Um pouco antes desse patamar, já é hora de começar a vender parte da safra.

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