Números da Fazenda e do Banco Central ainda divergem
Mesmo com as alterações feitas pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda na metodologia de cálculo das contas públicas do governo federal, para aproximar o resultado daquele apurado pelo Banco Central (BC), houve uma diferença de R$ 226 milhões nos números relativos a janeiro último. Até dezembro passado, essa divergência estava na casa de bilhões de reais.
Pelos cálculos da SPE, o superávit primário (receitas menos despesas, exceto gastos com juros e amortização de dívidas) do Tesouro Nacional, BC e Previdência Social foi de R$ 125 milhões no primeiro mês deste ano. Já o Banco Central, considera que os três juntos tiveram uma sobra de R$ 351 milhões naquele mês. Os economistas oficiais chamam essa diferença de discrepância estatística.
Ocorre que a SPE calcula o resultado das contas do governo pelo método acima da linha, isto é, considera quanto o Tesouro, a Previdência e o BC arrecadaram e gastaram, sem incluir receitas e despesas financeiras (com juros e pagamento do principal da dívida). Também exclui receitas da privatização.
É como pegar a renda de uma família e descontar o aluguel e outras despesas, sem computar o financiamento no banco para cobrir dívidas bancárias, explicou o assessor do Tesouro, Daniel Balaban. Segundo ele, o BC, mais preocupado em medir as necessidades de financiamento do setor público, calcula o resultado primário pelo método abaixo da linha, que considera a variação no endividamento do setor público junto ao sistema financeiro.
Na prática, o BC diminui do resultado operacional o montante destinado ao pagamento de juros reais. O número apurado é considerado o resultado primário calculado abaixo da linha. Por esse método, em janeiro o governo federal teve um superávit de R$ 351 milhões.





