Números apontam aumento da massa salarial
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sábado, 26 de março de 2005
Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro A massa salarial vem crescendo a uma média mensal de R$ 1,1 bilhão no primeiro bimestre, comparado ao mesmo período no ano passado. Fruto do aumento da ocupação e de recuperação do rendimento real, o valor passou do patamar de R$ 17 bilhões em janeiro e em fevereiro de 2004 para perto de R$ 18,1 bilhões este ano, com base nos dados das seis principais regiões metropolitanas. O ímpeto da massa salarial que já cresceu 6,4% sobre o ano anterior reforça as expectativas de aumento de consumo para o ano.
''A renda real parece que começou a engrenar finalmente'', diz o coordenador do grupo de trabalho do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Lauro Ramos. Em fevereiro, descontada a inflação, o rendimento cresceu (2,6%) pela sexta vez consecutiva sobre o mesmo mês do ano anterior e o pessoal ocupado avançou 3,7%, segundo o IBGE. A massa salarial, resultado do avanço do total de trabalhadores e de quanto ganham foi calculada pela LCA Consultores.
O levantamento mostra que o valor deste ano é o maior desde o 2003 ano que já foi considerado por economistas como o fundo do poço do mercado de trabalho. A nova série da pesquisa mensal de emprego do IBGE começou em março de 2002 e inclui as regiões de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador. Segundo o economista da LCA Fábio Romão, o aumento da população ocupada foi preponderante, mas o crescimento da renda já deu contribuição significativa para o volume salarial.
As projeções de crescimento da massa de salários para este ano estão entre 5% e 8%, com base nas estimativas da LCA e do Ipea. De um lado, o rendimento real vem aumento com a redução da inflação, que tira menos poder de compra dos salários, pela entrada de mais empregos ''protegidos'' e aumento dos ganhos, mesmo no setor informal. Segundo Ramos, 83% dos empregos criados em fevereiro era com carteira ou estatutários. Antes, a maior parte dos empregos gerados era de baixa qualidade ou subempregos como qualifica Ramos. Isoladamente em fevereiro, o rendimento dos empregados com carteira teve leve recuo (-1,4%) e dos sem carteira aumento (8%).
Na avaliação do economista da LCA os empregados sem carteira, que não tem rigidez contratual, podem estar se beneficiando mais rapidamente do aumento da massa na venda dos seus serviços. Além disso, parte da formalização dos trabalhadores que eram precários pode estar se dando em faixas salariais mais baixas, indica o economista do Ipea.
Lauro Ramos estima que a quase totalidade dos 1,2 milhão de postos criados entre o fim de 2002 e o início do segundo semestre de 2004 eram de baixa qualidade. ''A gente ainda tem de gramar muito, mas antes o subemprego respondia por quase tudo e isso vem reduzindo''. ''Este é um dado muito importante. É claro que são ainda apenas dois meses. Mas como indícios, são bastantes interessantes e promissores'', diz Ramos. A tendência para o ano é de uma ''recomposição qualitativa'', que elevará a renda e o consumo das famílias.
As empresas acompanham o movimento. O diretor do Grupo Pão de Açúcar para as bandeiras CompreBem e Sendas, Hugo Betlhem avalia que a evolução de vendas será maior para produtos como alimentos, higiene e limpeza, itens diretamente ligados à evolução da renda, do que para os bens duráveis, mais influenciados pelo crédito, como celular e eletrodomésticos. Estes produtos tiveram um ''boom'' de vendas no ano passado e devem ficar mais estáveis, diz Bethlem.


