Números ajudam, mas não evitam alta da inflação
Para o economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano, números favoráveis previstos para a safra agrícola nacional são sempre bem-vindos e não podem ser desprezados. São, entretanto, segundo ele, um dos fatores importantes dentre outros de magnitude até mais relevante - como todo o atual cenário de maior demanda por alimentos em todo o globo - para as análises relacionadas à inflação. ''Esses números de previsão recorde de safra devem ajudar, mas, se vão ser suficientes para evitar - em uma nova rodada de preços mais fortes lá fora - que a inflação não suba, aí nós saberemos somente ao longo do tempo'', avalia.
Ele aguarda um cenário de inflação geral melhor para o segundo semestre de 2008 e para 2009, principalmente pela influência que o arrefecimento nos preços das commodities internacionais, em virtude do menor aquecimento da economia mundial, terá sobre os valores dos alimentos no Brasil e no restante do globo. Na avaliação da economista Ana Laura, da MB Agro, a queda dos preços dos alimentos evitará aumentos inflacionários, mas os preços agrícolas, a despeito dos aumentos de produção, deverão ser mantidos nos atuais e elevados níveis. Isso porque, com o aumento da demanda global, os estoques mundiais de grãos sofreram uma forte baixa. Isso significa dizer que, daqui para frente, a procura por alimentos deverá crescer para suprir o consumo e para recompor os estoques em todo o mundo. Tudo isso, de acordo com a analista da MB Agro, vai se desenrolar em um cenário em que os custos de produção encontram-se altíssimos. Ana pegou o preço da soja como exemplo para ilustrar o raciocínio.
De 1999 até 2007, o preço da leguminosa subiu US$ 5,99 o bushel (unidade de pesos e medidas norte-americano com 27,2 quilos), para US$ 13,45. Hoje, no Mato Grosso do Sul o bushel da soja está em US$ 13,00. ''Não creio que teremos preços abaixo deste porque isso tiraria os produtores mato-grossenses do negócio'', diz Ana Laura, para quem tudo o que se produz a mais de alimentos é consumido, o que dá sustentação à manutenção dos preços. A situação, de acordo com a economista, só não é pior porque boa parte dos aumentos já foi consolidada.





