Segundo o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Basílio Pereima Neto, o real é uma das moedas mais voláteis do mundo. E, por isso, tem a particularidade de ser negociado mais no mercado futuro. "O mercado internacional vê a moeda brasileira como oportunidade especulativa", afirma.
A volatilidade, de acordo com ele, também explica o fato de, no geral, o real estar atrás na fila das moedas mais negociadas. "Por oscilar muito, nossa moeda dificulta a existência de um mercado mais robusto (nas outras modalidades, que não de futuro)", declara.
O economista diz que alguns fatores explicam o fato de o Brasil ser o 8º no ranking dos maiores mercados de juros. "Somos uma economia muito grande e, por isso, temos uma dívida pública também grande. E o mercado brasileiro para o financiamento desta dívida é relativamente sofisticado, contando com produtos diferentes para atender diferentes tipos de investidores", alega.
Márcio Massaro, economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Londrina), ressalta que o Brasil tem 1,2% de participação no mercado internacional. E que o número é muito próximo da participação do real citada pelo BIS: 1,1%."As transações com moedas estão relacionadas diretamente com comércio exterior", declara.
Como boa parte das transações internacionais brasileiras envolvem commodities agrícolas, as negociações do real se concentram no mercado futuro. "É porque plantamos hoje e vendemos a produção antes de brotar", assinala.

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