Número de sócios cresce mais que de assalariados
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de outubro de 2004
Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro Os dados do Cadastro Central de Empresas (Cempre) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dão um retrato dos efeitos da crise da economia em 2002. A quantidade de pessoas assalariadas cresceu menos do que de sócios e proprietários. A abertura de pequenos negócios funcionou como ''válvula de escape'' ao desemprego. Em paralelo, a taxa de mortalidade de empresas voltou a crescer e a de natalidade encolheu, depois de uma performance melhor em 2001. A cada dez empresas abertas, seis foram extintas, em 2002.
No período que vai de 1997 a 2002, o total do pessoal assalariado cresceu 20,8% quase metade da variação acumulada de 39,5% dos sócios e proprietários. Em 2002, o pessoal ocupado total somou 34,8 milhões, dos quais 27,9 milhões assalariados e 6,9 milhões, sócios e proprietários. Em 2002, o grupo cresceu 12,3% sobre 2001, cima do contingente de empregados (5,7%).
A responsável pela análise do Cempre, Denise Guichard Freire, conta que a possibilidade de abrir um pequeno negócio funcionou como uma válvula de escape ao desemprego que avançou progressivamente em 2002, marcado pelas incertezas eleitorais, avanço da inflação e elevação dos juros. Atividades que exigem baixo investimento foram o alvo de abertura de negócios.
O estudo também revelou que a proporção de empresas que tinha apenas sócios e proprietários (sem funcionários) chegou a 68,3% do total de 4,495 milhões de empresas. Na primeira parte da década de 1990, esta participação ficou em torno de 50% e passou a crescer depois de 1998, ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho deteriorava, com queda da renda da população. O baixo crescimento econômico e a tendência de demissão de empregados para a contratação de prestadores de serviço colaboraram para a evolução.


